Portugal mantém crescimento fraco na reciclagem de embalagens no primeiro semestre
Portugal regista um aumento de apenas 1% nas embalagens da recolha seletiva enviadas para reciclagem no primeiro semestre de 2026, totalizando 233 065 toneladas recolhidas nos ecopontos. O resultado mantém pressão sobre o cumprimento da meta de reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado, numa altura em que o vidro continua a ser o material mais crítico.
Destaques
- Portugal registrou uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5% em 2025, abaixo da meta europeia de reciclagem de 65%.
- O financiamento para o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens atinge 237 milhões de euros em 2026, 25 milhões de euros acima de 2025.
- O papel e cartão aumentaram 5%, alumínio subiu 7% e vidro apenas 1%, mantendo o risco de não cumprimento das metas de reciclagem.
Recolha seletiva cresce abaixo das metas
Como noticiou o Jornal de Negócios, a Sociedade Ponto Verde alerta que o ritmo atual continua insuficiente para Portugal cumprir as metas europeias de reciclagem de embalagens. A CEO da SPV, Ana Trigo Morais, afirma que os números do primeiro semestre mostram que, sem mudanças no terreno, o país arrisca falhar novamente os objetivos definidos.A gestora do sistema sublinha que o principal problema continua a estar na eficiência da recolha seletiva e da triagem. Apesar dos apelos à participação dos cidadãos, a entidade defende que esse esforço tem de ser acompanhado por um serviço mais acessível, regular e conveniente, com ecopontos mais disponíveis, limpos e melhor localizados.
A SPV recorda que Portugal já ficou abaixo da meta europeia em 2025, ao registar uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%. Esse resultado deixou o país em incumprimento face ao objetivo em vigor de reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado.
Investimento maior pressiona eficiência do sistema
O Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens recebe um reforço continuado de financiamento, com os sistemas municipais, multimunicipais e concessionários a verem a sua capacidade de investimento aumentar em 2025 e novamente em 2026. Segundo os dados citados, o financiamento assegurado pela SPV e pelas restantes entidades gestoras deverá atingir 237 milhões de euros este ano, mais 25 milhões de euros do que em 2025.No detalhe dos materiais, papel e cartão avançam 5% e o alumínio sobe 7%, enquanto o vidro cresce apenas 1%, mantendo em risco o cumprimento da respetiva meta. O ECAL continua 1% abaixo do nível do período homólogo e, no plástico, o desempenho varia por tipologia, com quedas em algumas categorias compensadas por subidas de 8% no filme, 3% no PEAD e 6% no PET.
Para aumentar a reciclagem, a prioridade passa agora por transformar o investimento em modernização operacional, mais tecnologia e maior transparência na recolha e triagem. A SPV aponta soluções como sensorização, recolha porta a porta mais eficiente e modelos pay as you throw, ao mesmo tempo que destaca um investimento acumulado de 19,4 milhões de euros em inovação e I&D ao longo de 30 anos.
Na nossa publicação anterior sobre os processos de infração da Comissão Europeia pela falta de transposição da Diretiva do Desempenho Energético dos Edifícios, explicámos que Portugal está entre os países notificados por atraso na adoção das regras. O dossiê define metas como edifícios novos sem emissões de combustíveis fósseis e a eliminação gradual de caldeiras fósseis, podendo haver sanções se a resposta não for considerada suficiente. O enquadramento mostra como Bruxelas está a apertar prazos e exigências, pressionando os Estados-membros a acelerar a execução das políticas climáticas.
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