Ghia vê espaço para Tesouro IPCA+ render mais com possível queda dos juros reais no Brasil
A recente redução das taxas dos títulos públicos atrelados à inflação melhora o retorno de quem já está posicionado e mantém aberta a janela para novas aplicações. Na avaliação da Ghia Multi Family Office, o potencial de ganho ainda depende do ciclo eleitoral e favorece prazos intermediários, com risco mais limitado do que nos vencimentos longos.
Destaques
- Segundo a Ghia Multi Family Office, o fechamento das taxas reais dos títulos públicos brasileiros deve se intensificar com o cenário eleitoral e expectativas fiscais.
- A NTN-B 2032, com taxa de 8,36%, pode render 14% em 12 meses se os juros permanecerem estáveis e até 19,5% com queda de 1 ponto percentual.
- A Ghia prefere alocação em vencimentos intermediários, fundos imobiliários de tijolo e ações, evitando títulos prefixados devido a risco-retorno menos atrativo.
Cenário eleitoral sustenta tese para os títulos
Como mostrou o InfoMoney, a Ghia Multi Family Office avalia que a maior parte do movimento de fechamento das taxas reais ainda não aconteceu e relaciona essa visão principalmente à eleição presidencial e à percepção fiscal dos investidores.No estudo, a casa afirma que o juro real de 10 anos reage com mais força à inflação acumulada em 12 meses e ao CDS de cinco anos do que ao resultado primário. Para Bruno de Paula, diretor da Ghia, esse comportamento indica que o mercado dá mais peso à sinalização sobre a trajetória futura da dívida pública do que ao retrato imediato das contas do governo.
A análise também considera experiências recentes de Chile, Colômbia e Peru, onde eleições de governos percebidos como pró-mercado e mais austeros foram acompanhadas por queda dos juros de 10 anos antes mesmo da confirmação dos resultados. A Ghia pondera, porém, que parte desse movimento também reflete fatores externos, como o alívio global com a dissipação do conflito no Oriente Médio.
Para o Brasil, a avaliação é que o efeito pode ser mais intenso por causa do nível da dívida, embora a casa reconheça limites para o recuo das taxas enquanto o Banco Central mantém a política monetária em terreno restritivo e a inflação segue distante da meta. Ainda assim, De Paula diz ver espaço relevante sobretudo nos papéis com prazo de quatro a cinco anos.
Retorno potencial favorece vencimentos intermediários
A Ghia simulou o retorno dos títulos em 12 meses sob diferentes cenários para as taxas. Na NTN-B 2032, com taxa de 8,36%, o ganho projetado é de 14% se os juros ficarem estáveis, 19,5% se houver queda de 1 ponto percentual e 8,8% em caso de alta da mesma magnitude.Nos papéis mais longos, a assimetria aumenta. Na NTN-B 2040, simulada a 7,74%, o retorno vai de 13,3% com taxas estáveis para 28% se houver fechamento de 1 ponto percentual, enquanto uma alta equivalente praticamente elimina o ganho, levando o retorno a 0,4%. Segundo a casa, em todos os cenários avaliados o potencial de valorização com queda dos juros supera a perda provocada por uma alta de igual tamanho.
Apesar da leitura construtiva, a estratégia adotada evita vencimentos muito longos e procura manter a carteira próxima da duration do IMA-B, em torno de seis anos. Para o investidor pessoa física, De Paula aponta ETFs que replicam o índice como uma forma de seguir essa tese sem depender da escolha de um título específico.
A gestora afirma ainda que prioriza o rendimento contratado, e não apenas a aposta em marcação a mercado. Para capturar uma eventual compressão mais forte dos juros, a preferência atual recai também sobre fundos imobiliários de tijolo e ações, enquanto os títulos prefixados seguem fora da alocação por apresentarem, na visão da casa, uma relação de risco e retorno menos favorável.
Em nossa cobertura anterior sobre a queda dos juros futuros longos no Brasil, mostramos como dados mais fracos de atividade e a expectativa de novo corte da Selic pressionaram a curva para baixo, mesmo com o aperto monetário nos EUA. Também destacamos que o cenário político — com a disputa eleitoral e tensões institucionais — seguia no centro da precificação, junto ao acompanhamento do Copom e de fatores externos como o petróleo.
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