A perspectiva de queda dos juros no Brasil reforça a tese de valorização das ações da MBRF por meio de um alívio relevante no custo da dívida. Com alta alavancagem e exposição expressiva a passivos em reais, a companhia pode se beneficiar de uma Selic a 12% até o fim de 2027, segundo a análise.
Destaques
- Goldman Sachs projeta que MBRF pode se valorizar 23% até o fim de 2027 apenas com normalização da Selic para 12%.
- Cada corte de 1 ponto percentual na Selic gera ganho líquido de R$ 230 milhões para MBRF, mas alta de 0,25 ponto nos Fed Funds eleva o custo em R$ 40 milhões.
- Goldman Sachs mantém recomendação de compra para MBRF com preço-alvo de R$ 22,90, apontando potencial de valorização de 37,4% frente aos R$ 16,67.
Estrutura da dívida amplia sensibilidade aos juros
Segundo InfoMoney, citando análise do Goldman Sachs, a redução da Selic para 13,75% ao ano já abre espaço para uma melhora relevante no custo da dívida da MBRF, e uma normalização da taxa para 12% até o fim de 2027 pode gerar potencial de valorização de 23% para a ação apenas pelo efeito financeiro.A MBRF encerrou o segundo trimestre de 2026 com dívida bancária bruta de R$ 68,1 bilhões. Desse total, R$ 38,9 bilhões estavam denominados em reais e, na prática, sujeitos à variação da Selic.
O banco calcula que cada corte de 1 ponto percentual na taxa básica representa um ganho líquido de cerca de R$ 230 milhões para a companhia, já considerando impostos e o menor resultado financeiro sobre o caixa. Ao mesmo tempo, uma eventual alta dos juros nos Estados Unidos pode compensar parte desse benefício, já que cada aumento de 0,25 ponto percentual na taxa dos Fed Funds elevaria em cerca de R$ 40 milhões o custo do serviço da dívida da empresa.
Potencial de valorização e impacto para a ação
O frigorífico apresentava alavancagem de 4,2 vezes no segundo trimestre, considerando financiamento de fornecedores e arrendamentos. Para o Goldman Sachs, a combinação entre essa estrutura de dívida e um eventual ciclo de normalização dos juros no Brasil melhora de forma relevante a relação entre risco e retorno da ação.Considerando o rendimento atual do fluxo de caixa livre, de 8,6%, e uma Selic de 12%, o banco estima potencial de alta de 23% para os papéis nos próximos 12 a 18 meses apenas pela redução do custo da dívida brasileira.
O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a MBRF, com preço-alvo de R$ 22,90. Esse valor representa potencial de valorização de 37,4% em relação à cotação de R$ 16,67 usada na análise.
Em nossa matéria anterior sobre as estratégias de renda fixa com a Selic em queda, mostramos como o corte para 13,75% reacendeu o debate entre permanecer no CDI/pós-fixados ou buscar títulos indexados à inflação e crédito privado. Também destacamos que a redução do diferencial de juros entre Brasil e EUA aumenta a cautela, com preferência por vencimentos curtos e intermediários no Tesouro IPCA+ e exigência de prêmio maior no crédito, evitando alongar prazos diante de riscos de liquidez e incertezas fiscais.
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