Portugal avalia Gripen para renovar caça com menor custo e contrapartidas industriais

Portugal avalia Gripen para renovar caça com menor custo e contrapartidas industriais
Gripen: escolha estratégica

Portugal mantém em aberto a escolha do próximo caça para substituir a frota de F-16, num processo em que custo, calendário de entrada ao serviço e retorno industrial pesam tanto como a capacidade militar. A proposta do Gripen E ganha destaque por combinar um período de conversão de cerca de um ano para pilotos portugueses com uma promessa de maior participação da indústria nacional.

Destaques

  • A Saab apresentou o Gripen E para Portugal, destacando ciclo de treino de um ano para pilotos de F-16 e custos totais estimados entre €2,5–3 mil milhões para 18–24 aeronaves.
  • Gripen promete reabastecimento e rearmamento em 15 minutos com equipe reduzida, operar em estradas civis e taxas de disponibilidade de 80–90%, com custos operacionais abaixo dos principais concorrentes.
  • Saab propõe investir em montagem e manutenção em Portugal, envolvendo empresas como Vangest, Kristaltek, Critical Software e OGMA, e reforçando argumento de impacto industrial local.

Proposta sueca destaca treino, custos e flexibilidade

Como noticiou o ThePortugalPost, a Saab apresentou esta semana em Linköping, na Suécia, detalhes técnicos do Gripen E, incluindo a estimativa de que pilotos portugueses que hoje operam F-16 precisam de cerca de um ano de treino intensivo para ficarem plenamente operacionais no novo aparelho. Segundo Jussi Halmetoja, piloto de testes e consultor do domínio aéreo da empresa, esse percurso divide-se entre uma conversão de três a quatro meses para combate ar-ar e uma fase adicional de qualificação para todo o leque de missões.

O Ministério da Defesa, liderado por Nuno Melo, mantém oficialmente aberto o processo de aquisição, com Saab, Lockheed Martin e o consórcio Eurofighter ainda a apresentar propostas e capacidades técnicas. A Força Aérea Portuguesa já manifestou anteriormente preferência pelo F-35, mas o Governo sustenta que não existe uma decisão final.

Na apresentação, a Saab sublinhou a flexibilidade operacional do Gripen E face ao F-35, defendendo uma abordagem centrada em guerra eletrónica, dispersão de bases e rapidez de reconfiguração. A empresa afirma que a aeronave pode ser reabastecida e rearmada em 15 minutos por uma equipa de cinco pessoas, operar a partir de estradas civis e receber atualizações de configuração em poucas horas.

A comparação financeira também pesa na proposta sueca. A Saab estima que Portugal investe entre 2,5 mil milhões e 3 mil milhões de euros por 18 a 24 aeronaves ao longo do ciclo de vida do programa, enquanto análises citadas no texto colocam o F-35 entre 3 mil milhões e 5,5 mil milhões de euros para 14 a 28 unidades, com entregas a partir de 2029 se houver aprovação. O Eurofighter surge com custos unitários mais elevados em encomendas recentes, sobretudo quando totalmente configurado.

Impacto industrial e decisão estratégica para Portugal

A dimensão industrial tornou-se um dos argumentos centrais da Saab para o mercado português. Daniel Boestad, vice-presidente da unidade de negócio Gripen, afirma aos meios portugueses que a empresa avalia montagem de componentes em Portugal mesmo sem uma compra imediata, embora uma escolha pelo Gripen possa alargar essa presença a montagem final e operações de manutenção, reparação e revisão.

O grupo sueco já trabalha com empresas portuguesas na cadeia de fornecimento do programa, incluindo Vangest, Kristaltek e ThyssenKrupp Ibéria, enquanto a Critical Software desenvolve software de simulação para treino de pilotos. A OGMA, controlada maioritariamente pela Embraer, também pode beneficiar de qualquer programa de renovação da frota, reforçando emprego qualificado e capacidade aeronáutica no país.

Além do preço de aquisição, os custos de operação surgem como critério decisivo para um país com restrições orçamentais e uma vasta área marítima para vigiar no Atlântico. O texto refere que o Gripen apresenta taxas de disponibilidade entre 80% e 90% e custos operacionais bastante abaixo dos rivais, um fator que pode permitir mais missões com menos aeronaves.

A decisão portuguesa continua, porém, dependente de um equilíbrio mais amplo entre interoperabilidade na NATO, autonomia industrial europeia, exigências operacionais e alinhamento geopolítico. Lisboa também procura participar, pelo menos como observador, num dos programas europeus de sexta geração, FCAS ou GCAP, o que adiciona uma camada estratégica à escolha dos caças que deverão proteger o espaço aéreo português na década de 2030.

Na nossa reportagem anterior sobre a campanha da Saab para a sucessão dos F-16 em Portugal, detalhámos como a empresa posiciona o Gripen E com cerca de um ano de adaptação para pilotos vindos do F-16, destacando a flexibilidade operacional (incluindo reabastecimento e rearmamento rápidos e atualizações de software no próprio dia). Também abordámos os argumentos de custos ao longo do ciclo de vida, as taxas de disponibilidade apontadas e as hipóteses de contrapartidas industriais, desde montagem de componentes até manutenção e eventual montagem final em Portugal, condicionadas a um contrato.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.