Banco de Portugal detalha crescimento do crédito à habitação e consumo em 2025

Banco de Portugal detalha crescimento do crédito à habitação e consumo em 2025
Crédito acelera em 2025

Num ano marcado pela descida das taxas de juro, o mercado português de crédito regista em 2025 uma aceleração no crédito à habitação e uma continuação da expansão no crédito aos consumidores. O novo relatório do supervisor também aprofunda a informação sobre carteiras, incumprimento e o peso dos intermediários de crédito nos vários segmentos.

Destaques

  • Em 2025, o crédito à habitação cresce 34,9% para 1.949,9 milhões de euros/mês, com o número médio de contratos mensais subindo 11,5%.
  • Os reembolsos antecipados baixam 16,2% (para 153 092 operações e 8,4 mil milhões de euros) e as renegociações recuam 28,8% em número e 26,4% em montante.
  • Os intermediários impulsionam o mercado ao representarem 50,6% do crédito ao consumo, enquanto o incumprimento global mantém-se contido, caindo para 0,1% no crédito à habitação em montante.

Evolução do crédito em 2025

Como comunicado pelo Banco de Portugal, o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito relativo a 2025 mostra um aumento significativo do montante de crédito à habitação e do número de contratos celebrados, ao mesmo tempo que o mercado de crédito aos consumidores mantém uma trajetória de crescimento.

Em média, são celebrados 11 134 contratos de crédito à habitação por mês, mais 11,5% do que em 2024, correspondendo a um montante médio mensal de 1.949,9 milhões de euros, uma subida de 34,9%. No final do ano, as instituições têm em carteira 1,33 milhões de contratos de crédito à habitação, mais 2,1%, com um saldo em dívida de 111,7 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 11,6%. Nos outros créditos hipotecários, são celebrados 37 366 novos contratos em 2025, menos 8,7% do que no ano anterior, totalizando 2,7 mil milhões de euros, mais 1,8%.

O prazo médio dos novos contratos de crédito à habitação sobe para 31,7 anos, face a 30,7 anos em 2024, impulsionado pelos contratos com garantia do Estado. Já o prazo médio dos contratos na carteira das instituições financeiras desce ligeiramente de 33,6 para 33,5 anos. A taxa de juro mista continua a dominar os novos contratos, representando cerca de 75% do total e 75,4% do montante concedido, embora perca peso face a 2024. O spread médio dos novos contratos com taxa variável indexados à Euribor desce de 0,89 pontos percentuais para 0,73 pontos percentuais.

Num contexto de descida das taxas de juro, os reembolsos antecipados e as renegociações no crédito à habitação voltam a diminuir. O número de reembolsos antecipados recua 16,2%, para 153 092 operações, com um montante global de 8,4 mil milhões de euros, enquanto as renegociações baixam 28,8% em número e 26,4% em montante, para 49 795 operações e mais de 5,1 mil milhões de euros renegociados.

No crédito aos consumidores, são celebrados em média 142 924 novos contratos por mês, mais 4% do que em 2024, no valor de 761 milhões de euros, uma subida de 11%. O montante concedido cresce em todos os segmentos, com aumentos de 12,7% no crédito pessoal, 12,2% no crédito automóvel e 2,5% no crédito revolving, enquanto a TAEG média desce de 12,8% para 12,6%.

Intermediários ganham peso no mercado

O relatório mostra também um reforço do papel dos intermediários de crédito, sobretudo no segmento dos consumidores. No crédito à habitação e hipotecário, 57% do montante concedido é comercializado com o envolvimento destes intermediários, mantendo o mesmo peso de 2024.

No crédito aos consumidores, a quota do crédito concedido através de intermediários sobe de 49,9% para 50,6%, passando a representar mais de metade da concessão neste mercado. O supervisor acrescenta ainda uma caracterização mais detalhada destes operadores, incluindo a sua importância relativa em cada um dos segmentos analisados.

Quanto à qualidade do crédito, o incumprimento mantém-se globalmente contido. No crédito à habitação e hipotecário, o peso do incumprimento no montante total dos empréstimos desce de 0,2% em dezembro de 2024 para 0,1% em dezembro de 2025, enquanto em número de contratos recua de 2,0% para 1,5%. No crédito aos consumidores, o rácio de incumprimento em montante sobe de 1,1% para 1,2% e, em número de contratos, avança de 4,5% para 4,7%.

Na nossa publicação anterior, analisámos a subida do endividamento total em Portugal para 876,2 mil milhões de euros em abril de 2026, impulsionada sobretudo pelo crédito à habitação, pelo financiamento às empresas e pelo aumento da dívida pública. O texto detalhava a repartição entre setor privado e público e explicava como a evolução das taxas de juro, com muitos empréstimos indexados à Euribor, pode influenciar os encargos mensais das famílias e a dinâmica do mercado da habitação.

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