José Antonio  Gastelum

Hipotecas em Portugal enfrentam pressão mista com subida da Euribor a seis e 12 meses

Hipotecas em Portugal enfrentam pressão mista com subida da Euribor a seis e 12 meses
Hipotecas sob pressão mista

As famílias portuguesas com crédito à habitação de taxa variável entram num período de prestações potencialmente mais desiguais, depois de a subida das taxas do Banco Central Europeu em junho de 2026 acentuar a divergência entre os vários prazos da Euribor. Como a taxa a seis meses, a mais usada no mercado nacional, sobe para 2,631%, o efeito mais provável para uma grande parte dos mutuários é um agravamento dos encargos nos próximos meses.

Destaques

  • A decisão do BCE de subir as taxas diretoras em 0,25 p.p. em junho de 2026 elevou a Euribor a seis meses para 2,631% e a 12 meses para 2,809%, pressionando as prestações em Portugal.
  • A taxa de juro implícita no crédito à habitação desceu para 3,065% em maio de 2026, com novos contratos fixando-se a 2,820%, refletindo maior concorrência bancária recente.
  • A prestação média mensal aumentou apenas 1 euro para 405 euros em maio, enquanto a dívida média em novos empréstimos caiu para 175.805 euros, sugerindo maior prudência bancária.

Subida do BCE altera referências do crédito

The Portugal Post noticiou que a decisão do Banco Central Europeu de subir as suas três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais em junho de 2026 está a repercutir-se no mercado de crédito à habitação em Portugal, com comportamentos distintos entre os vários indexantes Euribor. A taxa a três meses desce para 2,313%, menos 1,7 pontos base, enquanto a Euribor a 12 meses sobe para 2,809% e a taxa a seis meses avança para 2,631%.

Esta inversão significa que o financiamento de prazo mais curto fica mais barato do que o de prazo médio e longo, mas o impacto prático para a maioria das famílias é de subida das prestações, porque a maior parte dos contratos em Portugal está indexada aos prazos de seis ou 12 meses. Dados do Banco de Portugal referentes a abril mostram que a Euribor a seis meses representa 39,56% dos empréstimos de taxa variável para habitação própria permanente, seguida pela taxa a 12 meses, com 31,53%, e pela taxa a três meses, com 24,55%.

O Instituto Nacional de Estatística indicou que a taxa de juro implícita no conjunto do crédito à habitação desceu para 3,065% em maio de 2026, face a 3,079% em abril. Nos financiamentos para aquisição de habitação, a taxa recua para 3,061%, enquanto nos novos contratos celebrados nos últimos três meses se situa em 2,820%, sinalizando maior concorrência comercial para novos mutuários.

Impacto nas prestações e nos orçamentos familiares

Para os contratos indexados à Euribor a seis meses, um empréstimo típico de 100 mil euros pode traduzir-se em aumentos mensais moderados, embora o efeito final dependa da data de revisão, do spread aplicado pelo banco e do capital em dívida. Os spreads continuam normalmente entre 0,8 e 1,5 pontos percentuais acima da Euribor, o que amplia o efeito das revisões em contratos de montante mais elevado.

O saldo médio em dívida no crédito à habitação sobe 643 euros em maio, para 78.257 euros, considerando todos os contratos. Nos empréstimos assinados nos últimos três meses, a dívida média fica em 175.805 euros, menos 1.252 euros do que no mês anterior, num retrato de maior prudência no mercado e de critérios de concessão mais apertados.

A prestação média total aumenta apenas 1 euro em maio, para 405 euros, enquanto nos novos contratos desce 10 euros, para 692 euros. Ainda assim, este valor continua 8% acima do registado no mesmo período do ano anterior, mostrando que o alívio recente nas novas operações não elimina a pressão acumulada sobre os agregados familiares.

Os dados de maio do Banco de Portugal mostram médias mensais de 2,226% na Euribor a três meses, 2,536% na taxa a seis meses e 2,804% na taxa a 12 meses. As perspetivas de mercado apontam para estabilização ou ligeira descida na segunda metade de 2026, mas a evolução permanece dependente das próximas decisões do BCE, que continua a seguir uma abordagem reunião a reunião perante a incerteza da inflação e dos custos de energia.

Na nossa publicação anterior sobre a divergência das taxas Euribor e o efeito nas prestações do crédito à habitação em Portugal, analisámos como a subida de 0,25 pontos percentuais nas taxas diretoras do BCE intensificou a diferença entre indexantes, com maior peso na Euribor a seis e 12 meses. O texto explicou por que razão esta separação afeta de forma desigual as famílias — sobretudo as que têm contratos revistos pelos prazos mais usados — e apontou fatores como inflação, energia e datas de revisão como determinantes para o aumento dos encargos.

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