Vale Base Metals acelera expansão do cobre e mira fluxo de caixa livre acima de US$ 1 bilhão
Em meio às restrições de oferta no mercado global de cobre, a Vale Base Metals avança em uma estratégia para dobrar sua produção anual do metal até 2035. O plano também inclui a recuperação da rentabilidade do níquel, com foco no Brasil e em ganhos operacionais em ativos já existentes.
Destaques
- Vale Base Metals planeja dobrar sua produção anual de cobre para 700 mil toneladas em relação a 2024, com foco em ativos já existentes e exploração no Brasil.
- A reestruturação elevou a eficiência das operações de níquel, revertendo perdas anuais de caixa de quase US$ 1 bilhão para resultados positivos e diluição de custos fixos.
- A empresa revisou as projeções operacionais, ampliou estimativas de volume e reduziu custos em cerca de US$ 1.000 por tonelada de cobre e US$ 2.000 por tonelada de níquel.
Plano de expansão com foco em ativos existentes
Como relata InfoMoney, citando o Financial Times, os planos foram detalhados por Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals, durante o FT Metals & Mining Summit 2026, em Londres, com a meta de elevar a produção anual de cobre de cerca de 350 mil para 700 mil toneladas em relação aos volumes de 2024.A estratégia combina expansão de operações atuais, aumento dos investimentos em exploração mineral e ganhos de produtividade, sem depender apenas da construção de novas minas. Segundo Usmar, a companhia procura ampliar o conhecimento geológico de seus ativos, sobretudo no Brasil, para identificar novas oportunidades próximas às operações já em atividade.
O executivo afirmou que o desenvolvimento de grandes projetos de cobre se torna cada vez mais difícil, enquanto o setor enfrenta obstáculos recorrentes para cumprir metas de produção. Nesse contexto, a companhia intensifica os trabalhos de sondagem no Pará, onde a atividade cresce quase 500% nos últimos dois anos, e pretende ampliar esse esforço diante dos resultados obtidos e dos novos alvos identificados.
O aumento da produção também depende de melhorias em operações como Salobo e Sossego. Em Salobo, Usmar destacou avanços em confiabilidade operacional e recordes de produção registrados no ano passado, além de uma produção próxima de 400 mil onças de ouro no período; em Sossego, a empresa reduz custos e estende a vida útil da mina.
Recuperação do níquel e impacto na estratégia da companhia
A recuperação das operações de níquel é outro eixo da virada operacional da Vale Base Metals. Usmar reconheceu que a expansão da produção de baixo custo na Indonésia muda de forma profunda as condições de concorrência, com o país respondendo por cerca de 60% a 65% da oferta global do metal.Diante desse cenário, a empresa concentra esforços em reduzir custos, reorganizar ativos e ampliar o uso da infraestrutura industrial existente. Segundo o executivo, o negócio de níquel chegou a registrar perdas de caixa próximas de US$ 1 bilhão por ano, mas passa a gerar resultados positivos após as medidas de reestruturação.
A estratégia inclui maior utilização das instalações de processamento para diluir custos fixos e elevar a eficiência. Em Sudbury, no Canadá, as unidades de beneficiamento registram no ano passado o maior volume processado desde 2016, enquanto a capacidade de processamento em Clarabelle aumenta 25% no segundo trimestre, segundo Usmar.
A companhia também reorganiza seu portfólio para concentrar investimentos nos ativos considerados mais competitivos. Usmar citou a conclusão da transação envolvendo as operações de Thompson, no Canadá, pela qual a Vale Base Metals permanece como acionista minoritária e cliente, além de buscar maior aproveitamento de outros metais presentes em suas jazidas.
Atualmente, cerca de metade da receita da empresa vem do níquel, enquanto o restante está associado principalmente ao cobre. Além desses metais, a companhia produz cobalto e metais do grupo da platina, cuja recuperação pode reforçar a economia dos ativos; ao mesmo tempo, a empresa revisa projeções operacionais, eleva expectativas de volume e reduz estimativas de custos em aproximadamente US$ 1 mil por tonelada de cobre e US$ 2 mil por tonelada de níquel, mesmo sob pressão inflacionária.
Na nossa publicação anterior, detalhámos o avanço da renovação da frota do Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Carajás, com a chegada dos primeiros 15 vagões a São Luís e a previsão de mais 15 unidades até ao fim de novembro. Explicámos que o investimento, ligado à renovação da concessão, deve permitir viagens diárias nos dois sentidos e dobrar a capacidade do serviço até 2027, após as etapas de comissionamento e testes.
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