MRV integra ranking global de construtoras enquanto receita das 100 maiores recua em 2025
O setor global de construção mostra desaceleração no curto prazo, mesmo com valorização das empresas listadas em bolsa e perspetivas mais favoráveis para a próxima década. Entre as 100 maiores construtoras de capital aberto do mundo em 2025, a MRV é a única brasileira presente, na 92.ª posição.
Destaques
- A receita das 100 maiores construtoras de capital aberto recua 0,4% para quase 2 biliões de dólares em 2025, enquanto o valor de mercado combinado sobe 12% para 892,7 mil milhões.
- A MRV registra receita de 1,951 mil milhões de dólares em 2025, alta de 16,7%, destacando-se entre os maiores avanços do ranking global da Deloitte.
- O mercado de construção da América Latina é estimado em 346,5 mil milhões de dólares em 2025, com previsão de chegar a 471,9 mil milhões em 2035, liderado por necessidades em energia e infraestrutura.
Ranking global mostra retração da receita e avanço do valor de mercado
Como reporta a Exame Mercados, a nona edição do relatório Global Powers of Construction, da Deloitte, indica que as 100 maiores construtoras de capital aberto do mundo faturam quase 2 biliões de dólares em 2025, o equivalente a cerca de 10 biliões de reais, 0,4% abaixo do ano anterior. No mesmo período, o valor de mercado combinado dessas empresas sobe 12%, de 797,4 mil milhões de dólares em 2024 para 892,7 mil milhões em 2025.Segundo a Deloitte, o movimento reflete melhoria no sentimento dos investidores, apesar de um ambiente operacional ainda difícil, marcado por incerteza macroeconómica, restrições de financiamento, gargalos nas cadeias de abastecimento, efeitos cambiais, normalização após anos mais fortes e procura mais fraca no segmento residencial. Iván Rubio, líder de Engenharia e Construção da Deloitte Espanha, afirma que os resultados variam significativamente entre regiões e modelos de negócio em 2025, acompanhando diferenças nas condições de mercado e na exposição a segmentos mais resilientes ou mais cíclicos.
As empresas sediadas na China continuam a liderar e respondem por 48,5% das vendas do ranking, cerca de 957 mil milhões de dólares, embora essa receita recue 5,5% em 2025. A liderança global mantém-se com a China State Construction Engineering Corporation, seguida pela China Railway Group e pela China Railway Construction Corporation, e as três concentram cerca de 30% do faturamento total do ranking.
Nos Estados Unidos, as vendas caem 0,9%, refletindo um mercado residencial mais moderado. Na Europa, a receita agregada cresce cerca de 9% em moeda local, impulsionada por grupos espanhóis e franceses, e o continente soma 40 das 100 empresas listadas, à frente de Japão e Estados Unidos, com 14 companhias cada.
Brasil ganha visibilidade no ciclo de infraestrutura da América Latina
A MRV regista receita de 1,951 mil milhões de dólares em 2025, alta de 16,7% em dólares, um dos maiores avanços do ranking. A Deloitte destaca o Brasil como um dos principais mercados de investimento em infraestrutura da América Latina, com foco em concessões aeroportuárias e projetos de energia.Fernanda Tauffenbach, sócia de Strategy, Risk & Transactions da Deloitte Brasil, afirma que o país está particularmente bem posicionado para capturar esse ciclo de crescimento, apoiado por uma carteira relevante de investimentos e pela necessidade de modernização de ativos estratégicos em saneamento, transporte, logística, energia e infraestrutura digital. Para a executiva, o principal desafio passa por acelerar a capacidade de execução dos projetos com disciplina de capital, inovação, gestão de riscos e tecnologia.
O relatório estima que o mercado de construção da América Latina vale 346,5 mil milhões de dólares em 2025 e deve chegar a 471,9 mil milhões em 2035. Apenas no setor elétrico, a necessidade de investimento na região deve somar 577 mil milhões de dólares até 2030, enquanto Gabriela Bitu, líder da indústria de Construção da Deloitte Brasil, afirma que essas tendências reforçam a posição do Brasil como mercado estratégico de infraestrutura na região.
No horizonte de longo prazo, a Deloitte projeta uma taxa composta anual de crescimento de 5,9% para o mercado global de construção até 2030, sustentada sobretudo pela urbanização, pela transição energética e pela expansão de data centers ligados à inteligência artificial. No curto prazo, porém, o cenário continua moderado, com previsão de crescimento global de 1,5% em 2026, após contração de 0,2% em 2025, enquanto juros longos ainda elevados adiam decisões de investimento privado.
Entre as 30 maiores empresas do ranking, as atividades fora da construção, como imobiliário, concessões e serviços industriais, representam 26,7% da receita em 2025, e as vendas no exterior chegam a 24,7%, acima dos 21,3% de 2024. Segundo Jean-Louis Rassineux, líder de Industrial Products & Construction da Deloitte Global, a análise sugere que diversificação e internacionalização estão a gerar valor, com alguns dos grupos de melhor desempenho a combinar as duas estratégias com sucesso.
O lançamento de um FIDC de R$ 70 milhões para provedores regionais de internet e pequenos data centers em São Paulo foi o foco de uma análise anterior da nossa publicação. O veículo, estruturado por Möbius Capital e Desenvolve SP, combina cotas seniores e subordinadas para antecipar recebíveis e financiar expansão, equipamentos e aquisições num setor em consolidação. A expectativa é destravar crédito e acelerar a infraestrutura digital no interior paulista, ampliando conectividade e capacidade local de data center.
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