CDS de cinco anos do Brasil dispara após eleição e amplia percepção de risco fiscal

CDS de cinco anos do Brasil dispara após eleição e amplia percepção de risco fiscal
Risco fiscal dispara no Brasil

O aumento do prêmio cobrado para proteger a dívida brasileira reflete uma reavaliação do risco soberano logo após o resultado da eleição presidencial. Na manhã de segunda-feira, o CDS de cinco anos do Brasil atinge 151,67 pontos-base, após fechar a sexta-feira anterior em 120,2 pontos.

Destaques

  • O CDS de cinco anos do Brasil subiu 26% de 120,2 para 151,67 pontos-base entre 23 e 24 de outubro após a vitória de Lula.
  • A piora do CDS reflete aumento da percepção de risco fiscal e cautela dos investidores diante do cenário pós-eleitoral.
  • O mercado teme que a política fiscal expansionista eleve o risco de rebaixamento da dívida e pressione juros dos ativos brasileiros.

Movimento do mercado após o resultado eleitoral

Como noticiou o InfoMoney Mercados, o Credit Default Swap, CDS, de cinco anos do Brasil sobe 26% entre o fechamento da última sexta-feira, 23, e a manhã desta segunda-feira, no dia seguinte à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, sobre Eduardo Bolsonaro, do PL, na eleição presidencial. O indicador da S&P Global Market Intelligence avança de 120,2 pontos para 151,67 pontos-base.

A piora na percepção de risco já vinha ganhando força nas duas semanas anteriores, à medida que as pesquisas eleitorais passam a indicar crescimento das intenções de voto para Lula. Em 6 de outubro, após os resultados do primeiro turno amplamente favoráveis a Flávio Bolsonaro, o CDS de cinco anos recua para abaixo de 108 pontos, no menor nível desde 2020.

Na semana passada, o indicador já havia retornado para a faixa entre 118 e 119 pontos, antes de encerrar a sexta-feira em 120,2 pontos. O movimento desta segunda-feira acelera essa reversão e sinaliza maior cautela dos investidores em relação ao risco soberano brasileiro.

Temor fiscal pressiona ativos brasileiros

A leitura predominante no mercado é que a manutenção da atual política fiscal expansionista pode ampliar o risco de novo rebaixamento da dívida pública brasileira pelas grandes agências de classificação. Esse cenário tende a reduzir a atratividade dos títulos do país e pode pressionar ainda mais as taxas de juros.

O alívio observado anteriormente estava associado à promessa do então candidato do PL de promover um ajuste fiscal bilionário no orçamento federal, com foco em corte de gastos, redução do tamanho do governo e privatizações. Ainda assim, permaneciam dúvidas sobre a execução dessas medidas em um ambiente de despesas obrigatórias elevadas.

O CDS é um derivativo financeiro usado como proteção contra eventos de crédito, como calote de dívida. Seu preço costuma ser expresso em pontos-base, sendo que 100 pontos-base equivalem a 1 ponto percentual ao ano.

A reação do mercado às novas pesquisas do segundo turno mostrou como a disputa eleitoral voltou a elevar a volatilidade dos ativos brasileiros, com o Ibovespa abrindo em baixa e o dólar retomando o nível de R$ 5 após uma semana de rali. Na nossa publicação, destacámos que o otimismo recente vinha sendo testado por realização de lucros, incertezas sobre o resultado e um cenário externo mais difícil, mantendo os investidores em modo de cautela.

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