UE fecha posição comum para reforma da PAC após 2027

UE fecha posição comum para reforma da PAC após 2027
Reforma da PAC avança

Os ministros da Agricultura da União Europeia chegam a acordo sobre a futura reforma da Política Agrícola Comum, abrindo a fase de negociações com o Parlamento Europeu. O avanço político mantém em aberto a dimensão financeira do programa, que depende do novo orçamento plurianual da UE para 2028-2034.

Destaques

  • Os ministros da UE acordaram por unanimidade uma posição comum para a reforma da PAC pós-2027, sujeita à negociação com o Parlamento Europeu.
  • O financiamento proposto para a PAC ronda os 300 mil milhões de euros, inferior aos 387 mil milhões anteriores, com 45 mil milhões de euros a serem antecipados a partir de 2028.
  • A reforma concentra apoios em agricultores ativos, jovens e pequenas explorações, mantendo flexibilidade para pensionistas e para os GAEC, mas detalhes finais dependem do orçamento europeu.

Próxima fase depende do orçamento europeu

Como noticiou o Jornal de Negócios, citando a AFP, os ministros reunidos no Luxemburgo adotam por unanimidade uma posição comum sobre a reforma da PAC para o período pós-2027, num processo que terá ainda de ser negociado com o Parlamento Europeu. Para entrar em vigor, o texto final terá de ser aprovado nos mesmos termos pelos Estados-membros e pelos eurodeputados.

Em comunicado, o ministro irlandês Martin Heydon, cujo país exerce a presidência rotativa da UE, afirma que o acordo representa um passo importante para garantir que a PAC continua a produzir resultados para os agricultores, a apoiar as comunidades rurais e a preservar a segurança alimentar. A ministra francesa Annie Genevard sustenta, antes da reunião, que a negociação é crucial para restaurar a confiança no setor após um verão extremamente difícil e para abrir novas perspetivas, sobretudo para os mais jovens.

Apesar do entendimento político, a reforma permanece incompleta porque o quadro financeiro depende do desfecho das negociações sobre o orçamento europeu, que os responsáveis da UE esperam concluir até ao final do ano. O novo desenho da PAC deverá coincidir com o próximo orçamento plurianual da União, previsto para 2028-2034.

Distribuição dos apoios e pressão sobre as verbas

A reforma procura concentrar os apoios nos agricultores no ativo, nos jovens que entram na profissão e nas pequenas explorações, recorrendo a mecanismos de limitação de montantes e de redução gradual. Os detalhes dessas regras ficam, no entanto, dependentes da definição do orçamento final da PAC.

Nas negociações, um dos pontos mais sensíveis centra-se na definição de agricultores ativos, com alguns Estados-membros a defenderem que os pensionistas possam continuar a receber determinados apoios. O acordo alcançado prevê alguma flexibilidade nesta matéria. A França consegue também uma solução favorável para os GAEC, agrupamentos de explorações agrícolas familiares, permitindo que os seus membros continuem a receber verbas de forma individual.

Nesta fase, o financiamento da PAC continua apontado para cerca de 300 mil milhões de euros, abaixo dos 387 mil milhões da anterior política agrícola. A Comissão Europeia indica que haverá outros recursos disponíveis para apoiar o setor rural, enquanto Ursula von der Leyen promete antecipar 45 mil milhões de euros a partir de 2028 para o setor agrícola. Ainda assim, vários Estados considerados frugais, liderados pela Alemanha, defendem uma redução expressiva do orçamento da UE, incluindo cortes nas políticas tradicionais como a PAC.

Na nossa publicação anterior sobre a cimeira do Conselho Europeu de 15 e 16 de outubro, destacámos como o quadro financeiro plurianual 2028-2034 se tornou o eixo central das discussões entre as instituições da UE. O texto salientou a pressão do Parlamento Europeu contra cortes no próximo orçamento, num contexto em que também estavam em cima da mesa prioridades como competitividade, energia, apoio à Ucrânia, defesa, migração e alargamento.

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