Cabaz alimentar em Portugal agrava custos das famílias com subida de preços
O custo de um cabaz alimentar padrão em Portugal volta a subir e atinge 255,95 euros, acumulando mais 14,12 euros face à primeira semana de 2026. A pressão é mais visível em produtos essenciais como tomate, bacalhau e arroz, num contexto em que a inflação global acelera em outubro.
Destaques
- O cabaz alimentar essencial em Portugal aumentou 5,84% desde o início de 2024, com tomate, bacalhau graúdo e arroz carolino a subirem até 32%.
- Desde janeiro de 2022, carne de vaca para estufar subiu 120%, bacalhau graúdo 107% e ovos 79%, devido a constrangimentos na oferta e aumento dos custos de produção.
- A inflação em Portugal acelerou para 3,8% em outubro, impulsionada por energia (17,4%) e alimentos não transformados (3,7%), com o índice harmonizado fixado em 3,9% homólogo.
Evolução do cabaz e produtos sob maior pressão
Segundo o ThePortugalPost, a DECO PROteste acompanha os preços dos bens alimentares essenciais desde janeiro de 2022 e os dados mais recentes mostram que as compras semanais ficam 5,84% mais caras desde o início deste ano. Na comparação com a primeira semana de janeiro, o tomate sobe 32%, o bacalhau graúdo avança 29% e o arroz carolino aumenta 27%.No caso do bacalhau, a subida reflete constrangimentos persistentes na oferta. A Associação dos Industriais do Bacalhau aponta quotas de pesca mais baixas no Mar de Barents, além de custos mais elevados de importação e transporte.
O tomate também regista forte volatilidade ao longo de 2026, pressionado por condições meteorológicas desfavoráveis e menor oferta. A variedade tomate chucha chegou a 3,24 euros por quilo em abril, numa subida semanal de 24%.
Na semana mais recente analisada, entre 28 de outubro e 4 de novembro, bolacha maria e cereais integrais sobem 14%, enquanto o café torrado moído avança 12%. Para os orçamentos familiares, estas oscilações de curto prazo agravam a despesa mensal com alimentação, mesmo quando as variações percentuais parecem limitadas.
Impacto inflacionista e tendência de longo prazo
Desde o arranque da monitorização em 5 de janeiro de 2022, o cabaz da DECO PROteste mais do que duplica de preço em vários produtos, com destaque para a carne de vaca para estufar, que sobe 120%, o bacalhau graúdo, com 107%, e os ovos, com 79%. Entre os fatores apontados para esta pressão estão a guerra na Ucrânia, que perturba o abastecimento de cereais, as secas na Europa e os surtos de gripe aviária que reduzem a oferta de ovos.No caso da carne de vaca, a subida dos custos de alimentação animal e de energia leva muitos produtores a reduzir efetivos. Em Portugal, o número de bovinos cai 11,5% entre 2022 e 2024, reforçando a pressão sobre os preços.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram ainda que a inflação acelera para 3,8% em outubro, acima dos 3,6% registados em setembro. Os preços da energia lideram esta evolução, com uma taxa de 17,4%, enquanto os alimentos não transformados sobem 3,7% e o indicador subjacente se fixa em 2,8%. O índice harmonizado de preços no consumidor atinge 3,9% em termos homólogos, com os dados finais de outubro previstos para 11 de novembro.
A metodologia da DECO PROteste baseia-se na recolha semanal de preços às quartas-feiras nas principais cadeias de supermercados com loja online. O custo total resulta da média dos preços de cada produto disponível em vários retalhistas, somada para formar um cabaz fixo de bens alimentares essenciais.
Na nossa publicação anterior sobre a evolução dos preços dos combustíveis em Portugal, detalhámos a divergência semanal entre gasóleo e gasolina 95 e o impacto imediato nos custos de abastecimento. O texto também enquadrou as medidas de apoio do Governo, incluindo o pacote extraordinário para setores mais expostos e a prorrogação do subsídio ao gasóleo profissional, num contexto em que a energia continua a pressionar a inflação.
Últimas notícias Food Industry
- Forex
- Crypto