José Antonio  Gastelum

Bancos veem dólar após eleição como reação excessiva no Brasil

Bancos veem dólar após eleição como reação excessiva no Brasil
Alta do dólar: exagero?

A alta acumulada do dólar frente ao real após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva é vista por bancos internacionais como desproporcional ao quadro estrutural da economia brasileira. Na leitura dessas instituições, um eventual ajuste fiscal e a atuação de um Congresso mais conservador podem abrir espaço para recuperação parcial da moeda brasileira.

Destaques

  • O dólar subiu 10,33% frente ao real desde 23 de outubro, revertendo parte da valorização da moeda brasileira no ano.
  • Na semana após a reeleição de Lula, o dólar avançou mais de 9% frente ao real, maior alta semanal desde outubro de 2008.
  • Bancos internacionais avaliam a desvalorização do real como exagerada e veem fatores de contenção política e fiscal para limitar riscos.

Leitura dos bancos sobre câmbio

Como reportado pelo InfoMoney Mercados, economistas e estrategistas de grandes instituições financeiras internacionais avaliam que a forte desvalorização do real após a eleição foi exagerada e mantém uma visão, em geral, construtiva para a moeda brasileira.

Esses profissionais consideram que, apesar das incertezas políticas e fiscais, há fatores de contenção para uma agenda expansionista. Entre eles estão a possibilidade de ajuste das contas públicas e a presença de um Congresso de perfil mais conservador, que tende a funcionar como contrapeso no debate econômico.

Movimento recente e implicações

Desde o último pregão antes do segundo turno, em 23 de outubro, o dólar acumula alta de 10,33% frente ao real e passa a registrar leve valorização no ano.

Somente na primeira semana após a reeleição de Lula, a moeda norte-americana sobe mais de 9% diante do real, no maior avanço semanal desde o fim de outubro de 2008, no auge da crise financeira global ligada ao colapso do setor imobiliário nos U.S. O movimento reforça a percepção de volatilidade no câmbio brasileiro, mas também sustenta a avaliação de parte do mercado de que houve excesso na reação inicial.

Na nossa matéria anterior sobre o minidólar WDOX26, analisámos como o contrato começou o dia influenciado pelo fortalecimento global do dólar e pela cautela com o cenário eleitoral no Brasil, apesar do fluxo cambial positivo. Também destacámos os principais níveis técnicos de suporte e resistência e indicámos que a continuidade do movimento dependeria de rompimentos com volume, enquanto a perda de suportes poderia reacender a pressão vendedora.

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