O petróleo WTI cai abaixo dos US$ 60, com o enfraquecimento do prêmio de risco e o aumento dos estoques pesando sobre os preços.
O petróleo bruto WTI está sendo negociado abaixo de US$ 60 nesta quinta-feira, depois que uma forte retração apagou grande parte dos ganhos anteriores da semana. Os preços futuros caíram cerca de 3%, com os investidores reavaliando o risco geopolítico e reagindo a novos sinais de que as pressões sobre a oferta global continuam sem solução.
Destaques
- WTI cai quase 3% com os sinais dos EUA de que o atraso na ação do Irã reduz o prêmio de risco.
- Os estoques de petróleo bruto dos EUA registram o maior aumento em meses, reforçando os temores de excesso de oferta.
- Os valores entre US$ 61 e US$ 62 continuam sendo a principal zona de resistência, limitando as tentativas de recuperação.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
A reversão marca uma mudança no sentimento de curto prazo, com os mercados se afastando das compras orientadas pelo risco e voltando para os fundamentos dominados pelos estoques e pelas expectativas de oferta.
A estrutura técnica se enfraquece à medida que a alta se estanca abaixo da resistência principal
No gráfico diário, a estrutura mais ampla do WTIpermanece pesada, apesar da recuperação da semana passada. O preço continua a ser negociado abaixo da MME de 100 dias em declínio, próximo a US$ 60,2, e bem abaixo da MME de 200 dias, em torno de US$ 62,6, mantendo a tendência de médio prazo inclinada para o lado negativo. A recuperação das baixas do final de dezembro estagnou precisamente na região de US$ 62, uma área que tem limitado as altas repetidamente nos últimos meses.

Dinâmica do preço do petróleo bruto WTI (Fonte: TradingView)
Essa rejeição reforça a zona de baixa de US$ 62 como um importante teto de fornecimento, em vez de um nível de rompimento. Abaixo dela, as MMEs de 20 e 50 dias, agrupadas entre aproximadamente US$ 58,7 e US$ 59,9, não estão mais fornecendo um suporte claro. Em vez disso, essa zona se transformou em um campo de batalha, refletindo a hesitação dos compradores e a crescente confiança dos vendedores.
Os indicadores de momentum refletem essa visão. O RSI diário subiu para meados da década de 50, depois de passar a maior parte do quarto trimestre abaixo do nível neutro, sinalizando que o impulso de baixa diminuiu. Entretanto, o RSI permanece limitado abaixo do limite de 60, que normalmente marca uma transição para uma fase de alta mais forte. Isso sugere que o último avanço foi corretivo dentro de uma faixa mais ampla, e não o início de uma tendência de alta sustentada.
No gráfico de 30 minutos, a mudança no controle é mais clara. O WTI quebrou abaixo da supertendência de curto prazo e do suporte parabólico SAR depois de não conseguir se manter acima de US$ 61,5-US$ 62. A queda brusca para US$ 59,8 atraiu algumas compras de baixa, mas a ação do preço desde então formou máximas intradiárias mais baixas. Enquanto o petróleo permanecer abaixo da faixa de US$ 60,8 a US$ 61,1, as altas de curto prazo permanecem vulneráveis a uma nova pressão de venda.
Os fundamentos reafirmam a predominância com o retorno das preocupações com a oferta
O cenário fundamental se alinha estreitamente com o quadro técnico. O abrandamento dos temores geopolíticos de curto prazo removeu um pilar fundamental de apoio aos preços do petróleo. Os sinais de que os EUA podem adiar a ação militar contra o Irã reduziram as preocupações sobre interrupções imediatas nas exportações iranianas ou nas rotas de navegação pelo Estreito de Ormuz, levando os traders a se desfazerem de parte do prêmio de risco criado no início da semana.
Ao mesmo tempo, a atenção voltou a se concentrar nas realidades do lado da oferta. Os estoques de petróleo bruto dos EUA registraram seu maior aumento em meses, ressaltando que a oferta doméstica continua ampla, apesar das flutuações sazonais da demanda. Esses dados reforçaram a percepção de que o mercado continua bem suprido, limitando o acompanhamento de alta mesmo quando as manchetes geopolíticas se tornam brevemente favoráveis.
Outras incertezas cercam a Venezuela, onde o renovado envolvimento diplomático reavivou a especulação sobre o retorno de futuros barris aos mercados globais. Embora o momento e os volumes permaneçam obscuros, a perspectiva de aumento da oferta acrescentou outra camada de cautela, especialmente com as expectativas de crescimento da demanda ainda desiguais nas principais economias.
Em conjunto, esses fatores fizeram com que o mercado voltasse a adotar uma postura defensiva. Sem um catalisador geopolítico sustentado ou um claro aperto nos estoques, os compradores parecem relutantes em perseguir preços mais altos perto de uma resistência bem estabelecida.
Níveis a serem observados à medida que o mercado retorna ao comportamento dentro da faixa
A partir daqui, o roteiro técnico é simples. O suporte imediato está na zona de US$ 59,5 a US$ 59. Um rompimento sustentado abaixo dessa área exporia os US$ 58 e poderia reabrir um caminho para meados dos US$ 50 se as vendas se acelerarem. No lado positivo, o WTI precisa de um fechamento diário acima de US$ 61 para aliviar a pressão de curto prazo, sendo que uma mudança de tendência mais significativa só é provável se o preço conseguir recuperar e se manter acima da MME de 200 dias, perto de US$ 62,5 a US$ 63.
Em uma análise discutida anteriormente, o WTI foi descrito como uma tentativa de transição de uma tendência de baixa do final de 2025 para uma fase de intervalo para recuperação, dependendo da manutenção acima da base de US$ 56,5 a US$ 57. Embora essa base permaneça intacta, o recuo mais recente mostra que o mercado ainda não criou o impulso necessário para sustentar uma reversão mais ampla. Com o desvanecimento do prêmio geopolítico e os estoques pesando sobre o sentimento, o WTI está voltando para uma fase de oscilação para baixa, em vez de confirmar uma nova tendência de alta.
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