Portugal avança com reforma laboral após impasse com sindicatos

Portugal avança com reforma laboral após impasse com sindicatos
Reforma laboral em Portugal

O Governo português aproxima-se de uma decisão crucial sobre a reforma laboral depois de nove meses de negociações e mais de 200 horas de reuniões com sindicatos e confederações patronais. Em causa está o pacote Trabalho XXI, com mais de 100 alterações ao código do trabalho que afetam contratos temporários, plataformas digitais, horários e regras de greve.

Destaques

  • A UGT decide em 22 de abril se apoia a reforma laboral, sob ameaça do Governo de enviar o diploma direto à Assembleia da República.
  • A proposta Trabalho XXI reduz o limite de subcontratação após despedimentos de 12 para seis meses e amplia obrigatoriedade de serviços mínimos durante greves.
  • Para trabalhadores de plataformas, só haverá presunção de vínculo laboral se a dependência econômica da plataforma atingir 80%, excluindo grande parte dos profissionais.

Negociações finais e pontos centrais da proposta

A ThePortugalPost informa que o secretariado da UGT vota em 22 de abril se apoia a reforma laboral, enquanto o Governo sinaliza que envia o diploma diretamente para a Assembleia da República caso não haja acordo. O impasse expõe a rutura entre as confederações patronais, que pedem mais flexibilidade, e os sindicatos, que alertam para maior precariedade e perda de proteção laboral.

A proposta Trabalho XXI foi apresentada em julho de 2025 e procura adaptar a legislação a setores com forte sazonalidade, ao trabalho remoto e às plataformas digitais. Entre as medidas mais sensíveis estão o alargamento do banco de horas, a possibilidade de contratos a termo com fundamento em “calamidade”, a redução de 12 para seis meses da limitação à subcontratação após despedimentos e o reforço dos serviços mínimos obrigatórios durante greves em áreas como apoio a idosos, infância e segurança privada.

No caso dos trabalhadores de plataformas, a proposta estabelece presunção de vínculo laboral apenas quando a dependência económica da plataforma atinge 80%. Esse critério pode deixar de fora grande parte dos estafetas e motoristas que acumulam rendimentos de várias atividades, mantendo-os sem garantias como salário mínimo, férias pagas ou proteção no desemprego.

Na nossa publicação anterior, acompanhámos as negociações tripartidas sobre a reforma laboral em Portugal, que chegaram a um momento decisivo com reuniões a 22 de abril entre o Presidente António José Seguro e os parceiros sociais. O texto destacava os pontos mais polémicos — como o prolongamento dos contratos a termo e o regresso do banco de horas individual — e alertava que a falta de apoio sindical poderia levar o governo a avançar sem consenso, elevando o risco de paralisações e tensão social.

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