Coimbra acusa nove arguidos por esquema de branqueamento com vantagem de 4,4 milhões de euros

Coimbra acusa nove arguidos por esquema de branqueamento com vantagem de 4,4 milhões de euros
Esquema milionário em Coimbra

A acusação do Ministério Público de Coimbra descreve uma estrutura criminosa transnacional que operava a partir de Portugal para introduzir no circuito económico fundos obtidos por burlas informáticas sofisticadas. O processo aponta para uma vantagem patrimonial superior a 4,4 milhões de euros e inclui o congelamento judicial de mais de 1,2 milhões de euros em saldos bancários.

Destaques

  • Coimbra acusou nove arguidos, entre 22 e 43 anos, por branqueamento, associação criminosa e falsificação, envolvendo vantagem patrimonial de 4.485.021,19 euros.
  • A rede criou dez identidades falsas e constituiu 11 sociedades-fantasma, abrindo 72 contas bancárias para fragmentar e dificultar o rastreio de transferências ilícitas.
  • Foram congelados judicialmente 1.200.640,30 euros e o MP exige a devolução de mais de 3,2 milhões de euros dissipados, numa operação de dimensão internacional.

Acusação detalha rede financeira e identidades falsas

Conforme divulgou o DIAP Regional de Coimbra na sua página oficial, os nove arguidos, com idades entre os 22 e os 43 anos, são acusados de coautoria de crimes de associação criminosa, branqueamento e falsificação de documentos no âmbito de uma organização de cariz transnacional.

Segundo a acusação, a estrutura especializou-se na ocultação e introdução no circuito económico legítimo de fundos monetários provenientes de burlas informáticas, com um núcleo técnico e uma célula financeira sediada em Portugal. Enquanto o núcleo técnico executava intrusões informáticas no estrangeiro através de esquemas de phishing, Business Email Compromise e man-in-the-middle, a célula financeira assegurava a receção, ocultação, conversão e dispersão dos montantes ilicitamente obtidos.

O MP indica ainda que o grupo montou uma infraestrutura de fachada baseada na falsificação de passaportes de várias nacionalidades europeias, o que permitiu criar dez identidades fictícias e constituir 11 sociedades sem atividade real. Através dessas identidades e entidades, foram abertas 72 contas bancárias em território nacional para fragmentar transferências e dificultar o rastreio das operações.

Impacto financeiro e dimensão internacional do caso

De acordo com o processo, a organização recorreu também a uma rede de intermediários, as chamadas contas-mula, que cediam o controlo de contas bancárias pessoais para a circulação de fundos ilícitos. Esta componente operacional foi reforçada com a criação de uma estrutura logística e operativa em Coimbra no primeiro semestre de 2023, a partir da qual eram coordenados o aliciamento de terceiros e a gestão dos fluxos financeiros.

Entre as vítimas identificadas estão empresas sediadas nos U.S., Noruega, Suécia, UK e Índia, além de lesados em Portugal, cujas contas bancárias terão sido acedidas ilegitimamente para alimentar o circuito financeiro da organização. O Ministério Público fixa a vantagem patrimonial obtida em pelo menos 4.485.021,19 euros.

No âmbito do processo, foram apreendidos e congelados judicialmente saldos bancários de 1.200.640,30 euros, cuja perda a favor do Estado foi requerida, sem prejuízo das restituições devidas aos ofendidos. O MP pede também a condenação dos arguidos no pagamento do valor remanescente das vantagens dissipadas, superior a 3,2 milhões de euros, numa investigação conduzida pela Diretoria do Centro da Polícia Judiciária.

Na nossa publicação anterior, analisámos o reforço do enquadramento regulatório dos criptoativos em Portugal, com a aproximação do fim do período transitório do MiCA e o lançamento, pela CMVM, de um portal com regras e alertas para investidores e operadores. O texto sublinhava que, a partir de 1 de julho de 2026, apenas entidades autorizadas poderão prestar serviços, num quadro que intensifica obrigações de conformidade e prevenção de fraude. Em conjunto, estas medidas visam aumentar a transparência e reduzir riscos de operações ilícitas no mercado.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.