Portugal reforça alertas sobre fraude com cromos do Mundial após queixas triplicarem

Portugal reforça alertas sobre fraude com cromos do Mundial após queixas triplicarem
Fraudes com cromos crescem

A procura elevada pela coleção oficial do Mundial de 2026 está a alimentar em Portugal uma vaga de fraudes online ligada à venda de cromos, com mais de 203 vítimas já identificadas. O esquema, associado a anúncios falsos nas redes sociais e a sites que imitam vendedores autorizados, leva as autoridades a tratar o caso como uma operação transnacional organizada.

Destaques

  • A Autoridade Tributária identificou uma rede transnacional de fraude ligada à coleção Panini do Mundial 2026, com queixas triplicando desde maio de 2026 e já ultrapassando 203 casos.
  • Fraudadores utilizam sites clonados promovidos no Facebook e Instagram, explorando o aumento da procura e a escassez de stock, especialmente entre adultos de 35-54 anos, maioritariamente mulheres.
  • A GNR e a PSP abriram investigações e recomendam compras apenas em pontos autorizados, enquanto a Panini recebeu centenas de reclamações e colabora com autoridades após identificar mais de 13 mil domínios suspeitos ligados à FIFA em 2026.

Escala da fraude e modo de atuação

Como noticiou o The Portugal Post, a Autoridade Tributária portuguesa identificou uma rede de fraude transnacional que explora a procura pela coleção Panini do Mundial de 2026, enquanto o Portal da Queixa atualizou os dados e indicou que o número de casos triplicou desde maio de 2026. As queixas confirmadas já ultrapassam 203, num dos surtos de burla ao consumo mais agressivos associados a um evento desportivo recente.

Os burlões recorrem a sites clonados que reproduzem o aspeto, a marca e o processo de compra de distribuidores autorizados da Panini e da FIFA. Esses endereços são promovidos com anúncios direcionados no Facebook e no Instagram, normalmente com referências a stock limitado ou a uma última oportunidade de compra, para acelerar decisões impulsivas.

Depois do pagamento, muitas vezes feito por transferência digital e com recurso ao MB Way, os compradores não recebem confirmação, código de envio nem produto. Segundo o padrão descrito pelo Portal da Queixa, o dinheiro é rapidamente repartido por várias contas, por vezes ligadas a titulares usados como intermediários, o que dificulta a recuperação dos montantes.

A pressão sobre os consumidores é ampliada pela escassez de stock nos canais oficiais. A coleção de 2026, alargada a 980 cromos em 122 páginas devido ao formato de 48 seleções, está a gerar uma procura excecional que abre espaço a ofertas falsas e a revendas inflacionadas.

As autoridades e entidades de prevenção recomendam a verificação prévia das lojas através da ferramenta gratuita "Não Sejas Pato", que analisa o endereço do site com base em dados de reclamações, registo do domínio e avaliações de utilizadores. Entre os sinais de risco estão preços muito abaixo do mercado, pedidos de pagamento imediato a particulares e ausência de contactos verificáveis ou morada física.

Impacto em Portugal e resposta das autoridades

A distribuição geográfica das vítimas mostra maior concentração nos distritos mais populosos, com Lisboa a representar 21,77% das queixas, Porto 19,56% e Setúbal 15,50%. Aveiro, Braga e Leiria surgem também acima de 6%, indicando uma dispersão nacional do esquema.

O perfil etário aponta sobretudo para adultos em idade ativa, com 34,69% dos casos entre os 45 e os 54 anos e 29,15% entre os 35 e os 44 anos. As mulheres representam 53,51% das vítimas, acima dos 46,49% registados entre os homens, num padrão que sugere forte incidência em compras feitas para crianças ou para colecionadores do agregado familiar.

A GNR divulgou no início de junho um vídeo de alerta público e abriu várias investigações formais relacionadas com vendas fraudulentas de cromos. A força de segurança e a PSP aconselham os consumidores a comprar apenas em pontos de venda autorizados, a evitar transferências para desconhecidos e a reportar de imediato qualquer ocorrência, mesmo quando ainda não há perda financeira, para ajudar a mapear as redes envolvidas.

Quem já pagou a um vendedor suspeito deve reunir provas, pedir ao banco a reversão da operação e apresentar denúncia junto da GNR, da PSP ou do Sistema Queixa Eletrónica. A Panini, que recebeu centenas de reclamações de encomendas nunca entregues, está a cooperar com as autoridades e reitera que vende apenas através de retalhistas autorizados e da sua loja online oficial.

O caso português insere-se numa tendência internacional mais ampla. Entre janeiro e maio de 2026, analistas de segurança identificaram mais de 13 mil domínios com "FIFA" no endereço, dos quais cerca de 8,8% apresentavam características maliciosas ou suspeitas, reforçando a necessidade de vigilância acrescida durante o torneio.

Na nossa publicação anterior sobre a apreensão de artigos contrafeitos ligados ao Mundial de 2026, explicámos que a GNR retirou do mercado 13.360 produtos falsificados durante a operação “Trademark 2026”, após dezenas de fiscalizações e com vários crimes detetados. O texto sublinhava ainda que a escalada da procura por merchandising do torneio está a alimentar circuitos ilícitos, com impactos económicos e riscos acrescidos para os consumidores.

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