DIAP de Coimbra acusa rede de fraude informática que movimentou mais de 4 milhões de euros em Portugal
Uma investigação em Portugal expõe o funcionamento de uma célula financeira ligada a uma organização internacional de burlas informáticas, com atividade centrada na receção e dispersão de fundos desviados de vítimas em vários países. O caso inclui transferências associadas a negócios imobiliários fraudulentos no Algarve e levou ao congelamento de mais de 1 milhão de euros para eventual ressarcimento dos lesados.
Destaques
- DIAP de Coimbra acusou rede liderada por Cássio Nepomuceno, que movimentou mais de 4 milhões de euros em fraudes informáticas em Portugal durante dois anos.
- Grupo abriu 72 contas bancárias em nome do principal arguido, utilizando identidades forjadas e NIFs para ocultar fundos ilícitos através de sociedades comerciais.
- O Ministério Público congelou pouco mais de 1 milhão de euros em saldos bancários, visando ressarcir vítimas em vários países caso os factos sejam provados.
Acusação detalha esquema financeiro e atuação no Algarve
Conforme noticiado pelo Correio da Manhã, a acusação do Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra descreve uma estrutura sediada em Portugal que operava como célula financeira de uma rede internacional dedicada a burlas informáticas sofisticadas. Segundo o DIAP de Coimbra, o grupo especializou-se na ocultação e introdução no circuito económico legítimo de fundos obtidos de forma ilícita, enquanto o núcleo técnico realizava intrusões informáticas no estrangeiro através de esquemas de phishing, Business Email Compromise e man-in-the-middle.O processo identifica como principal arguido Cássio Nepomuceno, cidadão brasileiro que, a partir do Algarve, alegadamente comandava essa célula. De acordo com a acusação, os arguidos forjaram identidades e obtiveram números de identificação fiscal que lhes permitiram abrir contas bancárias em nome de sociedades comerciais. Só em nome do principal arguido foram abertas 72 contas bancárias, distribuídas por 34 agências de Norte a Sul do país.
Entre os episódios descritos está o de Paul e Rita Robbins, que em 24 de agosto de 2023 transferiram 70,9 mil euros convencidos de que pagavam o sinal de um imóvel em Montinhos de Burgau, em Lagos. A fraude passou por uma alteração quase impercetível no endereço de email associado à imobiliária, e o montante começou a ser levantado no próprio dia, até à saída final de fundos para um banco na Polónia.
Impacto judicial e dimensão internacional do caso
A acusação do Ministério Público imputa a nove arguidos crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais e falsificação de documentos. Entre as vítimas identificadas estão empresas sediadas nos Estados Unidos da América, Noruega, Suécia, UK e Índia, além de lesados em território nacional cujas contas bancárias foram acedidas ilegitimamente para alimentar o circuito financeiro da organização.Num período de cerca de dois anos, o grupo terá conseguido acumular mais de 4 milhões de euros, segundo a acusação. Durante a investigação, o Ministério Público ordenou o congelamento de saldos bancários de pouco mais de 1 milhão de euros, verba que deverá ser usada para ressarcir as vítimas caso o processo confirme os factos imputados.
Na nossa publicação anterior, detalhámos a acusação do Ministério Público de Coimbra sobre uma rede criminosa transnacional que operava a partir de Portugal para branquear fundos provenientes de burlas informáticas. O processo apontava para a criação de identidades falsas e sociedades-fantasma, a abertura de dezenas de contas bancárias para dispersar transferências e o congelamento judicial de mais de 1,2 milhões de euros, num esquema com dimensão internacional e vantagens superiores a 4,4 milhões de euros.
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