Portugal reduz alívio no ISP e limita descida do gasóleo
A redução gradual do apoio fiscal aos combustíveis em Portugal está a limitar o alívio sentido pelos consumidores, num momento em que as cotações internacionais seguem trajetórias diferentes para gasolina e gasóleo. Esta semana, o gasóleo desce apenas 0,9 cêntimos por litro, enquanto a gasolina 95 sobe 3,1 cêntimos, refletindo o recuo do desconto temporário no ISP e a pressão externa sobre os preços.
Destaques
- O Governo português reduziu em 0,8 cêntimos por litro o alívio temporário do ISP, limitando a descida do preço do gasóleo para 1,958 euros.
- A gasolina simples 95 aumentou 3,1 cêntimos para 1,927 euros por litro, sem compensação fiscal, e o gasóleo apenas caiu 0,9 cêntimos, ambos abaixo do 'preço eficiente' estimado pela ERSE.
- O recuo gradual do apoio extraordinário ao ISP mantém pressão sobre famílias e setor rodoviário, com provável tendência de preços mais altos nos próximos meses.
Corte no ISP condiciona preços desta semana
Como noticiou o ThePortugalPost, o Governo português reduziu esta semana em cerca de 0,8 cêntimos por litro o alívio temporário no Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos, travando uma descida mais expressiva no preço do gasóleo.O preço médio do gasóleo passa de 1,967 euros por litro na sexta-feira anterior para 1,958 euros, uma queda de 0,9 cêntimos. Já a gasolina simples 95 avança de 1,896 euros para 1,927 euros por litro, numa subida de 3,1 cêntimos, sem compensação fiscal adicional para amortecer a valorização das cotações internacionais.
O recuo do apoio extraordinário encaixa na trajetória prevista no Orçamento do Estado para 2026, que aponta para a retirada progressiva desta medida adotada desde o início de 2022. O objetivo oficial é normalizar a despesa pública sem provocar choques bruscos nos preços, mas o ajuste desta semana mostra que mesmo cortes graduais reduzem o benefício esperado pelos consumidores.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, ERSE, estima para a semana em curso um "preço eficiente" de 1,989 euros por litro para a gasolina 95 e de 2,091 euros para o gasóleo, ambos já com impostos. Ainda assim, os preços médios comunicados à Direção-Geral de Energia e Geologia, DGEG, mantêm-se abaixo desses níveis teóricos, 1,8 cêntimos no caso da gasolina e 6,5 cêntimos no gasóleo, diferença que aumenta com descontos de fidelização e promoções.
Impacto nas famílias e no transporte rodoviário
Para as famílias, a variação semanal tem efeito direto no orçamento. Num depósito de 55 litros, abastecer com gasolina 95 custa cerca de 0,85 euros mais do que na semana anterior, enquanto um condutor de veículo a gasóleo poupa apenas cerca de 0,05 euros no mesmo volume.No transporte rodoviário de mercadorias, a descida limitada do gasóleo mantém a pressão sobre operadores que já trabalham com margens reduzidas. Sem o alívio esperado nos custos, as empresas enfrentam a escolha entre absorver a perda de rentabilidade ou renegociar tarifas, com possíveis reflexos nos preços de alimentos, materiais de construção e outros bens de consumo.
Portugal continua também exposto à volatilidade externa, já que depende quase totalmente da importação de produtos petrolíferos refinados. No contexto europeu, o país posiciona-se numa faixa intermédia de preços, com a gasolina simples 95 entre as mais caras da União Europeia, enquanto diferenças face a Espanha continuam a incentivar abastecimentos transfronteiriços em zonas próximas da fronteira.
Nos próximos meses, a evolução dos combustíveis deverá depender do comportamento do crude nos mercados internacionais, do ritmo de retirada do apoio no ISP e da procura sazonal. Sem nova intervenção, a eliminação progressiva do subsídio extraordinário aponta para um ambiente de preços mais elevados para consumidores e transportadoras.
Na nossa publicação anterior sobre a tensão no Estreito de Ormuz, explicámos como a instabilidade no Médio Oriente e os riscos para rotas marítimas estratégicas podem pressionar o Brent e encarecer a energia. Também detalhámos o efeito potencial em Portugal, com combustíveis e logística mais caros, maior pressão sobre transportes e indústria e impacto indireto no consumo e nas viagens.
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