CP aumenta lucro e sai do perímetro das administrações públicas
A CP-Comboios de Portugal fechou o ano passado com 4,8 milhões de euros de lucro, impulsionada por um aumento da procura e por um novo máximo anual de passageiros. O desempenho permite à transportadora deixar de integrar a lista do Sector Institucional das Administrações Públicas, com efeitos a partir de 2027.
Destaques
- A CP aumentou o lucro anual em 166% para três milhões de euros, melhorando três milhões de euros face a 2024.
- A CP transportou mais de 208 milhões de passageiros em 2023, um crescimento de 10% e novo recorde anual.
- Com estes resultados, a CP sai do Sector Institucional das Administrações Públicas, ganhando mais autonomia de gestão a partir de 2027.
Resultados anuais e novo enquadramento
Como informou o Ministério das Infraestruturas e Habitação em comunicado, a CP melhorou em três milhões de euros os resultados face a 2024, o que representa uma subida de 166% no lucro anual.A transportadora pública indica que transportou mais de 208 milhões de passageiros no ano passado, um crescimento de 10% que estabelece um novo recorde anual absoluto para a empresa. Segundo o ministério, a evolução da procura foi impulsionada pelo Passe Ferroviário Verde, que ganhou peso sobretudo no serviço regional.
Com estes resultados, a empresa deixa de constar da lista do Sector Institucional das Administrações Públicas, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. O comunicado sublinha que, a partir de 2027, essa decisão dá à CP maior liberdade de gestão e de contratação de recursos, aproximando-a de um modelo de gestão empresarial.
Impacto na operação ferroviária e na mobilidade
O novo enquadramento pode reforçar a capacidade operacional da CP numa fase em que a procura por transporte ferroviário continua a crescer em Portugal. A combinação entre mais passageiros e maior autonomia de gestão tende a aumentar a flexibilidade da empresa para responder a necessidades de investimento e de recursos.Na reação incluída no comunicado, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirma que os resultados positivos dão um sinal de confiança sobre o futuro da CP enquanto operador público. O governante agradece aos trabalhadores pelo empenho, dedicação e inovação, e diz que o Executivo mantém a aposta no investimento na ferrovia, no combate à pobreza de mobilidade e em soluções de transporte descarbonizadas.
Na nossa publicação anterior sobre a tensão no Estreito de Ormuz e a subida da volatilidade nos mercados de energia, analisámos como o risco de interrupções no tráfego marítimo pode encarecer rapidamente as importações e pressionar os custos em Portugal. Também destacámos que este tipo de choque tende a propagar-se ao transporte e às cadeias de abastecimento, elevando o risco de inflação e de perda de competitividade para empresas e setores mais expostos.
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