Cegid Portugal prevê crescer no software ERP para PME após integração da PHC
A operação portuguesa da Cegid fecha 2025 com 85 milhões de euros em receitas, depois de concluir a integração da PHC Software no mercado de gestão empresarial para pequenas e médias empresas. Para 2026, a tecnológica francesa aponta para um crescimento de 10% e quer atingir 93,5 milhões de euros com atividade em Portugal e na África lusófona.
Destaques
- A Cegid concluiu em janeiro de 2025 a aquisição da PHC Business Software, adicionando 37 mil empresas clientes, 170 mil utilizadores e 262 trabalhadores, fortalecendo sua atuação nos mercados ibérico e africano lusófono.
- A empresa registrou 1,07 mil milhões de euros em receitas em 2025, um aumento de 10,7% face a 2024, e projeta atingir 1,3 mil milhões de euros até ao final de 2026.
- A integração das plataformas Cegid Primavera e Cegid PHC acelera o desenvolvimento de IA para 80 produtos até 2026 e pressiona clientes e parceiros a atualizarem soluções e competências tecnológicas.
Integração da PHC reforça escala e plano para 2026
A ThePortugalPost, a Cegid indica que formalizou a aquisição da PHC Business Software em janeiro de 2025, acrescentando 37 mil empresas clientes, 170 mil utilizadores, 262 trabalhadores e uma rede de 315 parceiros à sua estrutura. A integração está agora concluída e reforça a posição da empresa no software de gestão empresarial na Península Ibérica e nos mercados africanos de língua portuguesa.Paulo Carvalho, diretor-geral para Portugal e África lusófona desde outubro de 2025, afirma que a operação combinada cresce acima do plano e que uma parte relevante do negócio continua a ser gerada em Portugal, com Angola, Moçambique e Cabo Verde a registarem expansão a um ritmo considerado forte. A estrutura agregada emprega perto de 750 pessoas em Portugal e trabalha com 580 empresas parceiras, que reúnem cerca de 5.500 profissionais e mais de 14 mil certificações emitidas.
No plano global, a Cegid regista 1,07 mil milhões de euros de receitas em 2025, mais 10,7% face ao ano anterior, e fixa a meta de 1,3 mil milhões de euros até ao final de 2026. Portugal representa cerca de 8% da faturação mundial, mas também assume peso estratégico porque Braga acolhe o centro de inteligência artificial generativa do grupo, inserido na estratégia AI-First.
IA, modernização tecnológica e impacto nas PME
Para as mais de 60 mil empresas que usam as plataformas agora designadas Cegid Primavera e Cegid PHC, a integração promete desenvolvimento mais rápido de funcionalidades e maior incorporação de inteligência artificial nos processos de contabilidade, recursos humanos, logística e vendas. A empresa aposta na plataforma Cegid Pulse e em agentes integrados, descritos como smart actions, para automatizar tarefas repetitivas, detetar anomalias e sugerir correções em linguagem natural.O roteiro Forward.ia prevê levar integração de IA a 80 produtos até ao final de 2026. Entre os casos de uso iniciais estão verificações automáticas de conformidade fiscal em IVA e imposto sobre sociedades, análise preditiva de tesouraria, agentes virtuais para integração de trabalhadores e apoio salarial, e deteção preventiva de incidentes na logística; para a construção, a Cegid prepara ainda o lançamento do Sigrid 4 em maio de 2026.
A modernização da base tecnológica da PHC, originalmente construída em Visual FoxPro, também pode obrigar clientes com módulos personalizados e integrações antigas a refazer parte dessas soluções. Ao mesmo tempo, a reestruturação do programa de parceiros para 2026, com formação e certificação em IA e integração da unidade formativa da PHC na Cegid Academy, aumenta a pressão para atualização técnica em Portugal, Espanha e África lusófona.
Num mercado em que Primavera e PHC passam a estar sob o mesmo grupo, a concentração reduz a fragmentação, mas também aumenta o risco de dependência de um único fornecedor para muitas PME. Para Portugal e para a África lusófona, a estratégia da Cegid reforça o papel do país como base exportadora de tecnologia empresarial, ao mesmo tempo que liga crescimento futuro à migração para cloud, à adoção de IA e à capacidade dos parceiros acompanharem essa transição.
No nosso artigo anterior sobre o Agents Day Lisboa 2026, destacámos como o evento no Beato Innovation District aposta num formato prático de construção intensiva de agentes autónomos, em vez de apresentações, reunindo programadores, fundadores e engenheiros. Também enquadrámos a iniciativa na Agenda Nacional de Inteligência Artificial e no esforço de transformar a adoção de IA generativa em ganhos concretos de produtividade e implementação nas empresas.
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