BPCE conclui compra do Novo Banco por 6,7 mil milhões de euros

BPCE conclui compra do Novo Banco por 6,7 mil milhões de euros
BPCE fecha compra bilionária

A aquisição do Novo Banco fica concluída com um valor final acima do inicialmente previsto, refletindo o reforço do capital próprio da instituição nos primeiros meses de 2026. A operação garante ao Estado português e ao Fundo de Resolução um encaixe total de 1.673 milhões de euros e encerra um processo iniciado após a separação do BES.

Destaques

  • BPCE concluiu a compra do Novo Banco por 6,7 mil milhões de euros em 30 de abril de 2026, superando em 300 milhões o valor originalmente negociado.
  • O Estado português e o Fundo de Resolução recebem um total de 1.673 milhões de euros com a operação, sendo 906 milhões de euros para o Fundo e 766 milhões para o Estado.
  • O BPCE passa a deter 100% do capital do Novo Banco, fortalecendo sua presença em Portugal, após superar a proposta concorrente do Caixabank.

Fecho da operação e valor revisto

Como referido em comunicado do BPCE, segundo o Jornal de Negócios, o preço final de aquisição fixado em 31 de dezembro de 2025 é de 6,5 mil milhões de euros, equivalente a um múltiplo preço/lucros de 7,85 vezes com base no lucro líquido de 2025, de 828 milhões de euros. Com o aumento do capital próprio do Novo Banco durante os primeiros quatro meses de 2026, o valor total da compra sobe para 6,7 mil milhões de euros em 30 de abril de 2026.

O banco francês passa assim a deter 100% do capital do Novo Banco, instituição que resultou da separação entre o BES “mau” e o BES “bom”. O montante final supera os 6,4 mil milhões de euros acordados quando o negócio foi negociado no ano passado, acrescentando 300 milhões de euros ao custo inicialmente esperado.

O Novo Banco tinha sido vendido ao fundo norte-americano Lone Star em 2017, com 75% do capital, enquanto os restantes 25% permaneciam nas mãos do Estado, com 11,46%, e do Fundo de Resolução, com 13,54%.

Impacto financeiro e reforço da presença em Portugal

Com a revisão em alta do valor da venda, o Estado português e o Fundo de Resolução recebem 1.673 milhões de euros. Segundo o Ministério das Finanças, deste montante 906 milhões de euros destinam-se ao Fundo de Resolução e 766 milhões de euros ao Estado.

Na mesma nota, o ministério afirma que, somando esta receita aos dividendos já pagos pelo Novo Banco, o Estado português e o Fundo de Resolução conseguem recuperar cerca de 2 mil milhões de euros dos fundos injetados na instituição. O ministro das Finanças, Miranda Sarmento, afirma que a operação é concluída com sucesso e salvaguarda a estabilidade do sistema financeiro português.

O BPCE reforça ao mesmo tempo a sua presença no mercado nacional, depois de ter superado a proposta de outro interessado, o Caixabank, dono do BPI. Em comunicado, o CEO Nicolas Namias diz que o grupo está satisfeito por integrar o Novo Banco e reforçar o compromisso de longo prazo com Portugal, onde já detém o Banco Primus, a Oney e um centro financeiro no Porto.

Na nossa publicação anterior sobre a venda do Novo Banco ao grupo francês BPCE, explicámos como o fecho da operação em 30 de abril de 2026 encerrou um ciclo de 12 anos iniciado com a resolução do BES. Também destacámos que, apesar de o Estado e o Fundo de Resolução recuperarem perto de 2 mil milhões de euros com a alienação da participação pública, permanece por cobrir uma parte significativa do esforço suportado pelos contribuintes, num negócio avaliado em torno de 6,7 mil milhões de euros.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.