Fed mantém Powell no conselho até 2028 em meio a pressão política nos U.S.
Jerome Powell vai continuar no conselho da Reserva Federal dos U.S. até janeiro de 2028, depois de terminar o mandato como presidente em 15 de maio de 2026. A decisão limita a capacidade imediata da Casa Branca de remodelar o banco central num período de transição de liderança, disputa jurídica e divergências internas sobre a trajetória dos juros.
Destaques
- Jerome Powell permanece no Board of Governors da Fed até janeiro de 2028, adiando por quase dois anos a nomeação de um novo aliado político.
- A reunião da Fed em 29 de abril manteve as taxas de 3,5% a 3,75% com quatro votos dissidentes, maior divisão desde 1992, refletindo divergências sobre cortes diante de inflação e energia.
- Kevin Warsh deve assumir a presidência da Fed em 15 de maio, sinalizando potencial flexibilização monetária e mudanças operacionais, aumentando incerteza no mercado global e impacto no financiamento em Portugal.
Transição na Fed e confronto institucional
The Portugal Post noticiou que Powell decidiu permanecer no Board of Governors até ao fim do mandato, alegando ataques jurídicos sem precedentes ligados à administração do antigo presidente Donald Trump. A permanência ocorre depois de uma reunião de política monetária marcada por forte dissenso, na qual a Fed manteve a taxa de referência entre 3,5% e 3,75%, pela terceira reunião consecutiva sem alteração.
O encontro concluído em 29 de abril registou quatro votos divergentes, o maior nível de desacordo interno desde outubro de 1992. Stephen Miran defendeu um corte imediato de 25 pontos base por causa da fragilidade do mercado de trabalho, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan contestaram a linguagem do comunicado por considerar prematura uma inclinação para futuros cortes, num contexto de inflação persistente e preços energéticos elevados devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente.
Na conferência de imprensa final como presidente, Powell afirmou que os ataques estão a prejudicar a instituição e a pôr em risco questões centrais para o banco central. A referência surge depois de uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre alegados excessos de custos na renovação da sede da Fed em Washington, um processo que foi suspenso no fim de abril de 2026, mas remetido para o inspetor-geral, prolongando a incerteza institucional.
Ao manter-se como governador até janeiro de 2028, Powell impede durante quase mais dois anos a nomeação imediata de um aliado político para esse lugar. Em paralelo, continua a avançar um processo no Supremo, Trump v. Cook, sobre a possibilidade de um presidente remover governadores da Fed por justa causa, num teste com potencial para redefinir o alcance do poder presidencial sobre agências independentes.
Impacto para mercados globais e Portugal
Kevin Warsh, antigo governador da Fed entre 2006 e 2011, deverá assumir a presidência em 15 de maio, após avançar no Senado. As suas posições públicas apontam para uma mudança relevante na orientação monetária, incluindo a ideia de que ganhos de produtividade associados à inteligência artificial podem permitir crescimento económico sem reacender a inflação, abrindo espaço para cortes de juros mais cedo e de maior dimensão.Warsh também sinaliza mudanças operacionais mais amplas, como a redução do balanço do banco central, o fim das projeções trimestrais conhecidas como dot plot e menos comentários públicos por parte de responsáveis da Fed. Essa combinação aumenta a incerteza sobre a forma como os mercados vão interpretar os próximos passos da autoridade monetária num momento em que o comité continua dividido.
Para Portugal, a evolução da política monetária nos U.S. pode influenciar custos de financiamento, spreads da dívida e condições de crédito. Um ciclo rápido de descida dos juros tende a apoiar o apetite pelo risco e a aliviar o financiamento de economias periféricas, mas a persistência de conflito interno na Fed ou de decisões erráticas pode favorecer movimentos para ativos considerados seguros e pressionar os custos de endividamento.
A trajetória da Fed também pesa sobre o enquadramento do Banco Central Europeu e sobre os preços da energia, um fator sensível para uma economia importadora como a portuguesa. Se a instabilidade no Médio Oriente continuar a sustentar preços elevados do petróleo, o controlo da inflação na zona euro fica mais complexo e as decisões sobre crédito, investimento e hipotecas em Portugal tornam-se mais expostas ao rumo do banco central mais influente do mundo.
Na nossa publicação anterior sobre a decisão do BCE de manter as taxas diretoras inalteradas, explicámos que a estabilidade dos juros preserva, para já, os custos do crédito para famílias e empresas em Portugal. Também destacámos que a guerra no Médio Oriente mantém o risco de nova pressão nos preços da energia, o que pode voltar a complicar a trajetória da inflação e influenciar as próximas decisões do banco central.
Últimas notícias Iran war
- Forex
- Crypto