Mercado português foca dividendos, resultados e dívida pública esta semana

Mercado português foca dividendos, resultados e dívida pública esta semana
Semana de dividendos e dívida

A semana arranca com vários eventos relevantes para investidores em Portugal, num calendário marcado por dividendos, resultados trimestrais e nova informação sobre a dívida pública. O período decorre num contexto de pressão sobre os mercados financeiros globais devido à guerra no Irão e de estagnação da economia portuguesa.

Destaques

  • Banco de Portugal divulga a evolução da dívida pública em março, após o endividamento superar 280 mil milhões de euros nos dois primeiros meses de 2024.
  • EDP e Nos entram em ex-dividendo esta semana, com pagamentos previstos de 0,205 euros e 0,45 euros por ação, respetivamente, a partir de 7 de maio e sexta-feira.
  • Mota-Engil inicia emissão de dívida até 50 milhões de euros a cinco anos, com taxa de juro fixa bruta anual de 4,60%, de 6 a 19 de maio.

Agenda reúne banca, energia e construção

Conforme adianta o Jornal de Negócios, a segunda-feira fica marcada pela divulgação, pelo Banco de Portugal, da evolução da dívida pública em março, depois de o endividamento português ter subido nos dois primeiros meses do ano para mais de 280 mil milhões de euros. O mês de março corresponde ao primeiro período em que todo o mercado financeiro global está sob pressão da guerra no Irão.

Na terça-feira, a EDP entra em ex-dividendo, deixando as ações de conferir direito ao pagamento relativo ao exercício de 2025. O dividendo bruto é de 0,205 euros por ação e começa a ser pago a partir de 7 de maio, enquanto o valor líquido por ação varia entre 0,148 euros e 0,154 euros, consoante a retenção na fonte seja feita em sede de IRS ou IRC.

Na quarta-feira, cinco cotadas do PSI apresentam contas do primeiro trimestre, com destaque para CTT, Jerónimo Martins, EDP Renováveis e BCP. No mesmo dia, a Nos também entra em ex-dividendo, antes do pagamento de 45 cêntimos por ação, incluindo 35 cêntimos de dividendo ordinário e 10 cêntimos extraordinários, previsto para sexta-feira.

Ainda na quarta-feira, a Mota-Engil dá início a uma emissão de dívida até 50 milhões de euros, com maturidade de cinco anos e taxa de juro fixa bruta anual de 4,60%. A oferta decorre entre 6 e 19 de maio, com possibilidade de aumento do montante global até 14 de maio.

Impacto para o mercado acionista português

A concentração de resultados, assembleias-gerais e datas ex-dividendo coloca vários setores sob atenção, incluindo banca, energia, telecomunicações, retalho e construção. Para os investidores, a semana oferece sinais sobre remuneração acionista, capacidade de geração de lucros e recurso ao mercado de capitais num ambiente externo mais volátil.

O foco recai também sobre o comportamento da dívida pública portuguesa, numa fase em que a tensão geopolítica e a fragilidade do crescimento económico podem influenciar custos de financiamento e avaliação de risco. Em paralelo, as decisões de distribuição de dividendos por BCP, Galp, EDP, Nos e Jerónimo Martins reforçam a relevância do rendimento acionista como fator de atração na bolsa de Lisboa.

Na nossa análise anterior sobre o desempenho do PSI na bolsa de Lisboa, destacámos uma sessão em que o índice acompanhou os ganhos europeus, com impulso do grupo EDP e do BCP. Sublinhámos ainda que a temporada de resultados e a possibilidade de agravamento das tensões no Médio Oriente, com reflexos nos preços da energia, estavam a moldar o apetite ao risco e a rotação setorial no mercado português.

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