CGD reafirma intenção de manter participação no BCI em Moçambique

CGD reafirma intenção de manter participação no BCI em Moçambique
CGD mantém aposta no BCI

A Caixa Geral de Depósitos mantém o interesse em continuar acionista do Banco Comercial de Investimentos, num momento em que o futuro da estrutura acionista do maior banco moçambicano volta a ganhar relevo. A permanência, segundo Paulo Macedo, depende do entendimento com as autoridades de Moçambique e de o grupo português continuar a ser bem-vindo no país.

Destaques

  • Paulo Macedo reafirma que a CGD pretende manter-se como principal acionista do BCI em Moçambique enquanto for conveniente para as autoridades locais.
  • O BCI encerrou 2024 com 2.712 trabalhadores, um capital social de 10 mil milhões de meticais (138 milhões de euros), sendo 51% detido pela Caixa Participações (CGD).
  • A Caixa mostra abertura para apoiar novas iniciativas de crédito e investimento bilaterais entre Moçambique e Portugal, reforçando o financiamento à economia moçambicana.

Compromisso com o BCI e diálogo institucional

Como noticiou o Jornal de Negócios, Paulo Macedo transmitiu esta posição após ser recebido na terça-feira, na Presidência da República em Maputo, pelo chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, durante a visita que realiza ao país, onde a CGD lidera o BCI.

O presidente da comissão executiva da CGD disse que o grupo pretende continuar a apoiar o banco moçambicano através da sua presença acionista. Segundo o gestor, essa intenção mantém-se enquanto as autoridades considerarem essa participação conveniente e enquanto a instituição portuguesa for bem-vinda.

O responsável recordou também que a Caixa procura afirmar a sua presença em Moçambique tanto em períodos favoráveis como em fases de maior dificuldade, incluindo desafios naturais, económicos e geopolíticos. No encontro com o Presidente moçambicano, abordou ainda a possibilidade de o BCI poder vir a ser cotado na Bolsa de Valores de Moçambique.

Impacto para o setor bancário moçambicano

O interesse da CGD em permanecer na estrutura acionista do BCI já tinha sido manifestado no final de fevereiro, numa altura em que o banco português BPI sinalizou a intenção de vender a sua posição na instituição moçambicana.

O BCI tem um capital social de 10 mil milhões de meticais, equivalente a 138 milhões de euros, e é liderado em termos acionistas pela Caixa Participações, do grupo CGD, com 51%. A estrutura inclui ainda o BPI, com 35,67%, e a própria CGD diretamente, com 10,51%, entre outros acionistas, tendo o banco encerrado 2024 com 2.712 trabalhadores.

Paulo Macedo afirmou igualmente que a Caixa pode apoiar a concretização de iniciativas ligadas às linhas concessionais de investimento negociadas entre os Estados moçambicano e português. Esse enquadramento reforça o papel do grupo português no financiamento à economia e no apoio às empresas moçambicanas, além do serviço à população através do BCI.

Na nossa publicação anterior sobre a escalada das tensões no Estreito de Ormuz e a subida do petróleo para a zona dos 126 dólares, explicámos como este choque energético pressionou os mercados e teve efeitos imediatos nos preços dos combustíveis em Portugal. Também detalhámos o impacto em cadeia nos custos de transporte e em vários setores, bem como a avaliação de medidas de contingência para reduzir os riscos de um prolongamento da crise energética.

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