Jerónimo Martins vê lucro recuar no primeiro trimestre, apesar de aumento das vendas

Jerónimo Martins vê lucro recuar no primeiro trimestre, apesar de aumento das vendas
Lucro recua apesar de vendas

A retalhista arranca 2026 com crescimento operacional, mas fecha o primeiro trimestre com um lucro de 119 milhões de euros, abaixo do registado no mesmo período do ano passado. A descida de 6,8% surge numa fase de maior incerteza geopolítica e de pressão acrescida sobre custos ligados à energia e à produção alimentar.

Destaques

  • Jerónimo Martins registou lucro de 119 milhões de euros no primeiro trimestre, queda justificada por efeitos de juros e diferenças cambiais, apesar das vendas subirem 6,3% para 8,9 mil milhões de euros.
  • O EBITDA aumentou 8,4% para 572 milhões de euros e a margem subiu para 6,4%, refletindo melhoria da rentabilidade operacional mesmo com pressão sobre o resultado líquido.
  • O agravamento do contexto geopolítico no início de 2026, incluindo a escalada do conflito no Médio Oriente, contribui para maior incerteza, aumento dos combustíveis e fertilizantes, impactando custos futuros na produção alimentar.

Resultados trimestrais e fatores da descida

Conforme comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a Jerónimo Martins atribui a queda do resultado líquido aos efeitos dos juros e das diferenças cambiais apurados com a capitalização das rendas. Entre janeiro e março, o grupo registou um lucro de 119 milhões de euros, enquanto as vendas cresceram 6,3%, para 8,9 mil milhões de euros.

O EBITDA aumentou 8,4%, para 572 milhões de euros, e a margem subiu para 6,4%, face aos 6,3% observados no primeiro trimestre de 2025. Os números indicam um arranque de ano com reforço da atividade comercial e melhoria da rentabilidade operacional, apesar da pressão sobre o resultado líquido.

Contexto geopolítico agrava incerteza no retalho alimentar

Na mensagem que acompanha os resultados, o presidente e CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, afirma que o rápido agravamento do contexto geopolítico no início de 2026 aumenta ainda mais os níveis de incerteza e condiciona o comportamento dos consumidores.

Segundo o gestor, a escalada do conflito no Médio Oriente reflete-se na volatilidade do preço do petróleo, com efeitos imediatos e substanciais no preço dos combustíveis, além de uma subida acentuada no preço dos fertilizantes. Esse movimento introduz pressão adicional nos custos do próximo ciclo de produção alimentar, embora o responsável destaque que as insígnias do grupo registam um forte primeiro trimestre, com crescimento sólido de vendas e de EBITDA.

Na nossa matéria anterior sobre a queda acentuada dos preços do petróleo, explicámos que Brent e WTI recuaram fortemente após sinais de possível distensão diplomática entre os EUA e o Irão. O texto destacava que, depois de meses de pressão ligada a interrupções no Estreito de Ormuz, bastaram expectativas de avanço nas negociações para desencadear realização de lucros e aumentar a volatilidade, num mercado ainda muito sensível a qualquer mudança no quadro geopolítico.

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