Tribunal de Gaia decide hoje caso Operação Babel sobre licenciamento urbanístico

Tribunal de Gaia decide hoje caso Operação Babel sobre licenciamento urbanístico
Decisão no caso Babel

Mais de um ano após o arranque do julgamento, o Tribunal de Vila Nova de Gaia lê esta sexta-feira o acórdão do processo Operação Babel, centrado em alegadas irregularidades no licenciamento urbanístico. O caso envolve 16 arguidos e interesses imobiliários estimados em cerca de 300 milhões de euros, com factos que, segundo a acusação, se estendem pelo menos até 2022.

Destaques

  • Tribunal de Vila Nova de Gaia lê hoje o acórdão da Operação Babel, envolvendo crimes de corrupção ligados ao licenciamento urbanístico de projetos avaliados em 300 milhões de euros.
  • O Ministério Público pede penas de prisão entre oito e 12 anos para Patrocínio Azevedo, Paulo Malafaia, Elad Dror e João Pedro Lopes, acusados de manipular normas para favorecer interesses imobiliários.
  • A Câmara de Gaia, atualmente sob Luís Filipe Menezes, retirou-se do processo e desistiu do pedido de indemnização de 50 mil euros.

Leitura do acórdão e âmbito do processo

Segundo o CM Jornal, a decisão judicial fica agendada para as 09h30 no Tribunal de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto. A leitura do acórdão tinha sido inicialmente marcada para 24 de abril, mas é adiada devido à greve nacional dos magistrados do Ministério Público, que contestavam a acumulação de áreas funcionais no próximo movimento anual de procuradores.

Entre os principais arguidos está o ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, Patrocínio Azevedo, que esteve em prisão preventiva durante cerca de 23 meses. O antigo autarca responde por crimes como corrupção passiva, prevaricação, participação económica em negócio, tráfico de influência, abuso de poderes, branqueamento e recebimento ou oferta indevidos de vantagem.

No mesmo processo estão ainda o empresário imobiliário Paulo Malafaia, o fundador do grupo Fortera, Elad Dror, e o advogado João Pedro Lopes, todos acusados pelos mesmos crimes. A estes juntam-se a antiga diretora municipal de Urbanismo e Ambiente de Gaia, Luísa Aparício, o economista Jordi Busquets e mais 10 empresas.

Acusação do Ministério Público e impacto local

Em causa está a alegada manipulação de normas e da instrução de processos de licenciamento urbanístico em Vila Nova de Gaia, em benefício de promotores ligados a projetos de grande densidade e escala. De acordo com o Ministério Público, os interesses imobiliários em causa ascendem a cerca de 300 milhões de euros, tendo sido oferecidas e aceites contrapartidas de natureza pecuniária.

O Ministério Público sustenta que Elad Dror e Paulo Malafaia combinaram desenvolver projetos imobiliários na cidade, incluindo Skyline/Centro Cultural e de Congressos, Riverside e Hotel Azul, contando com alegado favorecimento de Patrocínio Azevedo. Em troca, o ex-autarca receberia dinheiro e bens materiais, como relógios, enquanto João Pedro Lopes faria a ligação entre os empresários e o então vice-presidente.

Nas alegações finais, os procuradores pedem penas entre oito e 12 anos de prisão para Patrocínio Azevedo, Paulo Malafaia, Elad Dror e João Pedro Lopes. Para Luísa Aparício e Jordi Busquets, o Ministério Público pede penas entre quatro anos e seis meses e cinco anos de prisão, suspensas na execução, enquanto para as empresas são pedidas multas.

A acusação fala numa "cultura de corrupção e de impunidade" entre os arguidos, com impacto grave sobre os bens jurídicos em causa. Já a Câmara de Gaia, agora liderada por Luís Filipe Menezes, desistiu de ser assistente no processo e do pedido de indemnização de 50 mil euros.

No nosso artigo anterior sobre o julgamento do ex-juiz Hélder Claro, acompanhámos as acusações de corrupção e auxílio à imigração ilegal ligadas ao alegado recrutamento de mulheres brasileiras para trabalhar num bar em 2022. O processo inclui ainda suspeitas paralelas de corrupção em negócios imobiliários, com referência a uma vantagem ilícita de cerca de 1 milhão de euros e a alegados subornos, ampliando o risco reputacional e patrimonial para os arguidos.

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