Portos de Portugal projetam alta dos cruzeiros em 2026 apesar de riscos sanitários
Portugal prepara-se para receber quase 2 milhões de passageiros de cruzeiro em 2026, num novo ano de crescimento para um setor que continua a expandir-se apesar de surtos sanitários recentes em navios internacionais. O aumento previsto reforça a pressão sobre portos, transportes e bairros históricos de cidades como Lisboa, Funchal e Porto, ao mesmo tempo que amplia receitas e emprego ligados ao turismo.
Destaques
- Os portos portugueses projetam 1.138 escalas e 1.970.275 passageiros em cruzeiros para 2026, crescimento de 8% e 6% respetivamente, apesar de surtos sanitários.
- A atividade de cruzeiros em Portugal deverá gerar mais de 1 mil milhão de euros anuais em receitas diretas e indiretas até 2027, intensificando pressão urbana em Lisboa, Funchal e Porto.
- Até primavera de 2026, 57% dos novos navios serão multifuels, e Portugal aposta em portos verdes, com o Governo revendo metas de emissões e possíveis incentivos ou penalizações ambientais.
Expansão prevista para portos e operações
ThePortugalPost avança que os terminais portugueses esperam 1.138 escalas de cruzeiros em 2026 e um total de 1.970.275 passageiros, o que representa um aumento de 8% nas escalas e de 6% no número de visitantes. A projeção confirma a continuação do crescimento do setor, mesmo com a atenção internacional sobre surtos de doença registados em navios ao longo de 2025 e 2026.
Entre os episódios mais graves, um surto de hantavírus no navio de expedição MV Hondius, operado pela Oceanwide Expeditions, provoca três mortes no início de maio de 2026. Noutra ocorrência, um surto de gastroenterite ao largo de Bordéus em maio de 2026 afeta cerca de 50 pessoas, mantém 1.700 passageiros confinados às cabines e resulta numa morte. O norovírus continua também a surgir em navios de várias grandes operadoras, incluindo Royal Caribbean International, Princess Cruises, Holland America Line e Celebrity Cruises.
Apesar destes casos, as empresas do setor mantêm previsões de volumes históricos de passageiros em 2026. O mercado global de cruzeiros deverá atingir 39 milhões de passageiros este ano, sustentando uma indústria avaliada em 94,5 mil milhões de euros e com perspetiva de chegar a 204,9 mil milhões até 2034.
Impacto económico e pressão urbana nas cidades portuárias
O crescimento da atividade de cruzeiros em Portugal deverá gerar mais de 1 mil milhão de euros por ano em receitas diretas e indiretas até 2027. O acréscimo projetado de quase 118 mil passageiros cria mais procura para hotelaria, restauração, transportes, comércio local e serviços de guiamento turístico, sobretudo nas zonas próximas dos terminais.Ao mesmo tempo, o aumento do fluxo turístico intensifica a pressão sobre a mobilidade e o espaço urbano. Em Lisboa, áreas ribeirinhas do Tejo e acessos a Belém podem registar congestionamento 30% a 40% superior nos dias de chegada de navios, enquanto Alfama, o centro histórico do Funchal e a Ribeira do Porto enfrentam maior circulação pedonal, em especial entre abril e outubro e com maior intensidade do fim de maio até setembro.
As autarquias avançam com estratégias de turismo inteligente para distribuir visitantes por zonas menos pressionadas e reduzir o peso sobre pontos tradicionais. Em paralelo, a expansão do setor abre oportunidades de emprego e de negócio, mas também levanta dúvidas sobre a forma como taxas e receitas do turismo de cruzeiros serão canalizadas para transportes públicos, infraestruturas de bairro, habitação e serviços locais.
Sustentabilidade, regulação e novas exigências sanitárias
As exigências ambientais e sanitárias estão a ganhar peso na operação dos cruzeiros. Até à primavera de 2026, 57% dos navios em construção são concebidos para funcionar com múltiplas fontes de combustível, incluindo hidrogénio, enquanto Portugal reforça a aposta em infraestruturas portuárias mais verdes para receber embarcações de nova geração.O Ministério do Ambiente e da Ação Climática sinaliza uma revisão das metas de emissões ligadas aos cruzeiros até ao final de 2026, podendo avançar com incentivos para atracação de zero emissões ou penalizações para navios em incumprimento. Em paralelo, operadores reforçam protocolos de saúde com desinfeção intensiva, sistemas de purificação do ar, rastreio antes do embarque, isolamento imediato de casos infecciosos e programas de controlo de pragas.
Para os residentes e empresas locais, a trajetória do setor combina potencial económico com riscos de sobrecarga urbana e ambiental. O efeito final sobre a qualidade de vida dependerá de como municípios, autoridades portuárias e operadores equilibram crescimento turístico, proteção ambiental e investimento em serviços públicos.
Na nossa publicação anterior sobre a modernização do Terminal Ferroviário do Porto de Leixões, acompanhámos o lançamento do concurso público de 9,2 milhões de euros para expandir e requalificar acessos ferroviários e rodoviários associados ao porto, com um prazo de execução de 600 dias. O texto enquadrou a obra num plano estratégico de mais de mil milhões de euros para Leixões na próxima década e no pacote mais amplo de investimento previsto para o setor portuário nacional até 2035.
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