PJ executa arresto preventivo de quase 2 milhões de euros em processo de corrupção na região de Coimbra

PJ executa arresto preventivo de quase 2 milhões de euros em processo de corrupção na região de Coimbra
Arresto milionário em Coimbra

A investigação da operação "My Friend", aberta no final de 2018 e tornada pública em 2020, entra numa nova fase com o arresto preventivo de bens avaliados em 1,989 milhões de euros. A medida abrange imóveis, viaturas e contas bancárias ligados a arguidos que aguardam julgamento por suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais.

Destaques

  • Polícia Judiciária arrestou três imóveis, 17 viaturas e 36 contas bancárias no valor total de 1,989 milhões de euros por ordem judicial.
  • O arresto preventivo decorre do processo 'My Friend', iniciado em fevereiro de 2020, com cinco arguidos acusados de corrupção e branqueamento de capitais em Coimbra.
  • O Gabinete de Recuperação de Ativos reforça pressão ao identificar património incompatível com rendimentos, inclusive de um funcionário da Autoridade Tributária envolvido no esquema.

Arresto judicial abrange imóveis, viaturas e contas

Segundo a agência Lusa, a Polícia Judiciária anunciou esta terça-feira que foram arrestados três imóveis, 17 viaturas e 36 contas bancárias no âmbito de um inquérito conduzido pela Diretoria do Centro e pelo Departamento de Investigação Penal Regional de Coimbra.

A PJ indicou, em nota de imprensa, que a aplicação das medidas de arresto preventivo foi efetuada agora por determinação do tribunal. O valor total dos bens apreendidos ascende a 1,989 milhões de euros.

O processo decorre da operação "My Friend", realizada em fevereiro de 2020, na qual foram constituídos cinco arguidos por crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, branqueamento de capitais e outros ilícitos. Esses arguidos aguardam julgamento.

Recuperação de ativos reforça pressão sobre arguidos

Uma fonte do Gabinete de Recuperação de Ativos da PJ afirmou que um arresto deste montante "não é muito comum". O gabinete pode investigar o património dos suspeitos até cinco anos antes de estes terem sido constituídos arguidos, incluindo casas, carros, contas bancárias, participações em empresas, dinheiro e ações.

No âmbito dessa análise, o GRA procura identificar bens que possam ter sido adquiridos ilicitamente e pode recorrer a todos os meios de obtenção de prova para apurar património incongruente com os rendimentos declarados. A operação divulgada em 2020 levou à detenção de cinco homens, após buscas nas zonas de Lisboa, Leiria e Coimbra, envolvendo entidades públicas e empresas.

Entre os arguidos está um funcionário da Autoridade Tributária que, segundo a investigação, atuaria em benefício de terceiros na resolução de problemas fiscais em troca de contrapartidas monetárias.

Na nossa publicação anterior sobre o julgamento da Operação Marquês, acompanhámos um novo depoimento que detalhou entregas de dinheiro, a gestão de verbas num cofre bancário e operações imobiliárias apontadas como instrumentos de alegado branqueamento. O testemunho e a acusação sublinharam como contratos e movimentos financeiros terão sido usados para fazer chegar fundos à esfera de José Sócrates, num processo que junta dezenas de crimes económico-financeiros e vários arguidos.

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