Operação Imergente agrava risco político com 37 arguidos e contratos sob suspeita de 2 milhões de euros
A investigação sobre alegado favorecimento em autarquias da área de Lisboa leva à libertação dos quatro detidos da Operação Imergente, mas com várias restrições de contacto e circulação. O processo incide sobre suspeitas de corrupção ligadas a contratações entre 2016 e 2022 e abrange contratos no valor de dois milhões de euros.
Destaques
- Operação Imergente leva à constituição de 37 arguidos e ao cumprimento de 90 mandados de busca relacionados com autarquias de Lisboa.
- Investigação centra-se em contratos suspeitos avaliados em dois milhões de euros, celebrados entre 2016 e 2022, envolvendo alegada corrupção autárquica.
- Tribunal impõe medidas de coação aos quatro detidos, entre os quais Emilio Vázquez Blanco e Duarte Moral, proibindo contactos institucionais e políticos.
Medidas de coação e alcance da investigação
Como avança o Jornal de Negócios, os quatro detidos na Operação Imergente ficam em liberdade, mas proibidos de se contactarem entre si, de frequentarem instalações autárquicas e de contactarem titulares de cargos políticos e funcionários das autarquias da Amadora, Oeiras, Alcântara, Misericórdia e Santa Maria Maior. Também ficam sujeitos a várias medidas de coação, incluindo Termo de Identidade e Residência.Entre os detidos estão Emilio Vázquez Blanco, ex-porta-voz do PSOE, Duarte Moral, assessor de José Luís Carneiro, Rute Reimão e Rui Pedro Nascimento, sócio de Duarte Moral. Os detidos são ouvidos na sexta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal para primeiro interrogatório judicial.
Suspeitas sobre contratos e impacto institucional
A operação é desencadeada depois de a Polícia Judiciária realizar buscas na quinta-feira na sede nacional do PS, em Lisboa, no âmbito de suspeitas de um esquema de corrupção com contratação de militantes e de favorecimento associado ao poder autárquico do PS em Lisboa. Em causa estão factos situados entre 2016 e 2022.Segundo os elementos divulgados, a investigação abrange contratos avaliados em dois milhões de euros. No total, a operação da Polícia Judiciária resulta na constituição de 37 arguidos e no cumprimento de 90 mandados de busca domiciliária e não domiciliária, num processo que inclui suspeitas de prevaricação, participação económica em negócio, peculato, abuso de poder e fraude fiscal qualificada.
Na nossa publicação anterior sobre a Operação Imergente, detalhámos as suspeitas de manipulação de regras de contratação pública e as ligações entre empresas de comunicação e autarquias associadas ao PS, incluindo contratos e concursos sob escrutínio. Também referimos as detenções de figuras como Emilio Vázquez Blanco e Duarte Moral e o impacto político do caso, com diligências em juntas de freguesia e pressão acrescida sobre o partido após buscas relacionadas com a sua estrutura em Lisboa.
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