Governo diz que greve geral tem adesão residual no privado e sinaliza conclusões para a reforma laboral
A avaliação inicial do Governo à greve geral aponta para um impacto limitado no setor privado e para um funcionamento global dos serviços, embora com efeitos mais visíveis em áreas do setor público. A leitura política do executivo ganha peso num momento em que a reforma laboral pode alterar o equilíbrio entre empresas, trabalhadores e sindicatos.
Destaques
- A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho afirmou que a greve geral teve adesão 'absolutamente residual' no setor privado até às 11:30.
- No setor público, a adesão foi mais elevada, mas serviços essenciais como transportes e saúde garantiram funcionamento através de serviços mínimos.
- Na educação, 40% dos alunos do sexto ano não realizaram a prova de português, levando o Governo a extrair conclusões para a reforma laboral devido à baixa adesão privada.
Leitura do Governo sobre a adesão
Como escreveu o Jornal de Negócios, a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, sustenta que a paralisação regista uma adesão "absolutamente residual" no setor privado, com dados recolhidos até às 11:30 junto dos setores público e privado. A governante repete que "o país está a trabalhar" e que "o país está a funcionar normalmente", defendendo que em várias atividades não se registam perturbações.Entre os exemplos apontados pela ministra estão a indústria, os têxteis, a metalomecânica, o calçado, a agricultura, a banca, a construção, as telecomunicações e os hospitais privados. No turismo, com base em dados da Confederação do Turismo de Portugal, o Governo diz que não há perturbações na hotelaria nem nas agências de viagens, embora reconheça efeitos indiretos na TAP devido à paralisação nos aeroportos, sem impacto na operação.
No setor público, Maria do Rosário Palma Ramalho admite uma adesão mais elevada, em linha com a greve de dezembro. Ainda assim, afirma que os serviços estão genericamente a responder, seja em pleno, seja através de serviços mínimos decretados, com destaque para transportes e saúde.
Educação concentra efeitos e executivo tira ilações
O ponto mais expressivo referido pelo Governo surge na educação. Segundo a ministra, 40% dos alunos do sexto ano que tinham prova de português nesta quarta-feira não conseguem realizar o exame.A governante classifica a greve geral como "grave", por afetar tanto quem decide aderir como quem pretende trabalhar, levar os filhos à escola ou utilizar transportes. No plano político e regulatório, o executivo afirma que vai retirar conclusões do facto de a adesão ser reduzida no setor privado, precisamente o segmento ao qual a lei laboral se aplica primordialmente.
Na nossa publicação anterior sobre a greve geral de 3 de junho, analisámos como a paralisação afetaria sobretudo a mobilidade, com interrupções e frequências reduzidas no metro, comboios, autocarros e travessias fluviais em várias regiões. Detalhámos ainda o quadro de serviços mínimos definido (ou não) por operador, bem como a extensão dos efeitos a outros setores como saúde, ensino e aviação, num contexto de contestação às alterações à lei laboral.
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