Transportes em Portugal enfrentam forte disrupção com greve geral de 3 de junho
A greve geral de quarta-feira atinge com particular intensidade os transportes públicos urbanos em Portugal, com interrupções e frequências reduzidas em vários operadores de comboio, metro, autocarro e travessias fluviais. O impacto começa ainda antes do dia 3 de junho em redes como os metros de Lisboa e do Porto, enquanto decisões sobre serviços mínimos variam entre empresas e regiões.
Destaques
- A greve geral de 3 de junho convocada pela CGTP interrompe totalmente a circulação do Metropolitano de Lisboa e reduz severamente frequência em outros operadores, afetando milhares de passageiros.
- Entre as 00:00 e as 16:00 de 3 de junho, a CP suprimiu 153 de 791 comboios programados, incluindo 17 de 47 no longo curso e 67 de 188 no regional.
- A paralisação abrange também setores como saúde, ensino e aviação, ampliando o impacto económico e operacional num contexto de revisão da lei laboral e pressão sindical sobre o Governo.
Operação condicionada nos principais serviços
Como reportou a Lusa, a paralisação foi convocada pela CGTP para 03 de junho contra as alterações à lei laboral, depois de as negociações com o Governo terem terminado sem acordo, e já provoca ajustamentos na oferta de transporte em todo o país.No Metropolitano de Lisboa, a circulação fica interrompida entre as 23:00 de terça-feira e todo o dia de quarta-feira, após o Tribunal Arbitral decidir não fixar serviços mínimos para a circulação de composições. A normalização do serviço está prevista para as 06:30 de quinta-feira.
No Metro do Porto, a operação mantém-se com frequências reduzidas no tronco comum entre Senhora da Hora e Estádio do Dragão e, parcialmente, na Linha Amarela entre Santo Ovídio e Hospital de S. João. A empresa indica intervalos de 15 minutos entre as 07:00 e as 20:00 e de 30 minutos nos restantes períodos operacionais, retomando o serviço regular na quinta-feira.
A CP indica serviços mínimos para Alfa Pendular, Intercidades, regional, inter-regional e urbanos de Lisboa, Porto e Coimbra. Entre as 00:00 e as 16:00 de hoje, foram suprimidos 153 dos 791 comboios programados, incluindo 17 de 47 no longo curso, 67 de 188 no regional, 63 de 172 nos urbanos do Porto, dois de 363 em Lisboa e quatro de 21 em Coimbra.
No Metro Mondego, o Conselho Económico e Social determina cerca de 20% dos 39 serviços habituais, num total de oito serviços mínimos ao longo do dia. Já a STCP admite perturbações em todas as linhas na quarta-feira, embora sem serviços mínimos decretados e com expectativa de conseguir mitigar os constrangimentos.
Impacto regional e diferenças entre operadores
Na região de Lisboa, a travessia fluvial da Transtejo/Soflusa pode ser afetada porque o Tribunal Arbitral não fixou serviços mínimos de transporte de passageiros, mantendo apenas os serviços estritamente necessários à segurança de navios, terminais, cais e pontões. A Carris, por sua vez, assegura serviços mínimos em 12 carreiras e transporte para cidadãos com mobilidade reduzida, com funcionamento parcial reforçado nas restantes horas.A Carris Metropolitana ainda não avança uma indicação oficial sobre o efeito da greve na operação. A Fertagus afirma ter condições para assegurar o serviço a 100%, mas ressalva que a execução depende do impacto da greve na Infraestruturas de Portugal, onde foram decretados serviços mínimos de 25%. Os horários definitivos para o dia 03 de junho serão divulgados nos canais oficiais da empresa.
Fora dos grandes centros, os SMTUC alertam para possíveis perturbações em Coimbra, enquanto a Horários do Funchal informa que 39 carreiras devem funcionar normalmente e 21 ficam suspensas, num universo de 60 linhas abrangidas pelo despacho sobre serviços mínimos. No setor do táxi, a Federação Portuguesa do Táxi não prevê um impacto significativo na oferta, apontando antes para um possível reforço do papel dos táxis como alternativa perante limitações nos restantes modos de transporte.
A greve geral também envolve outros setores, incluindo saúde, ensino, aviação, comércio e função pública, o que amplia o alcance económico e operacional da paralisação. O protesto surge numa fase de debate parlamentar da revisão da lei laboral aprovada em Conselho de Ministros, prolongando a pressão sindical sobre o Governo e sobre serviços essenciais com forte peso na mobilidade diária.
Na nossa publicação anterior sobre a greve geral de 3 de junho, detalhámos a mobilização em vários setores e os principais impactos esperados na mobilidade, com foco nos transportes públicos. Explicámos também como funcionariam os serviços mínimos em operadores como a CP e a Carris e que tipo de perturbações poderiam estender-se ao dia anterior e ao seguinte, incluindo orientações para passageiros sobre reembolsos e remarcações.
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