Portugal enfrenta greve geral e pressão sobre reforma laboral
A contestação à proposta laboral Trabalho XXI agrava-se em Portugal no mesmo dia em que uma greve geral coincide com confrontos junto à Assembleia da República. O episódio aumenta a pressão política sobre um pacote com mais de 100 alterações ao Código do Trabalho e complica a sua tramitação parlamentar.
Destaques
- Confrontos entre manifestantes e polícia junto à Assembleia da República resultam em detenções, feridos ligeiros e incêndio de contentores após a greve geral.
- A greve liderada pela CGTP manifesta forte resistência ao pacote Trabalho XXI, que propõe mais de 100 alterações ao Código do Trabalho aprovado em 15 de maio.
- O governo de Luís Montenegro, sem maioria absoluta, enfrenta incerteza política acrescida para aprovar a reforma laboral devido à pressão sindical e à instabilidade pública.
Confrontos agravam tensão da paralisação
A ThePortugalPost noticia que os confrontos surgem após o fim da manifestação oficial da CGTP, quando um grupo permanece junto à Assembleia da República e a polícia tenta reabrir as ruas ao trânsito ao início da noite.Segundo fontes da PSP, manifestantes erguem barricadas com grades metálicas e lançam garrafas de vidro, fogo-de-artifício e engenhos de fumo contra agentes. Contentores de lixo em ruas adjacentes são incendiados durante a dispersão do grupo, e a polícia mobiliza primeiro equipas de intervenção rápida antes de destacar o Corpo de Intervenção.
Até cerca das 19h30, várias pessoas são detidas por desobediência, resistência e coação sobre funcionários públicos. As autoridades admitem ainda a possibilidade de novas imputações relacionadas com danos materiais e arremesso de objetos, enquanto vários polícias sofrem ferimentos ligeiros e não há registo de vítimas graves.
Reforma Trabalho XXI enfrenta maior resistência
Após a reunião semanal do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, condena o que classifica como comportamento inaceitável de uma minoria, ao mesmo tempo que separa esses atos da maioria dos manifestantes e da organização da CGTP. O governante defende a atuação das forças de segurança e sustenta que a maior parte dos portugueses trabalha normalmente, embora reconheça adesão à greve.A CGTP, pela voz do secretário-geral Tiago Oliveira, apresenta uma leitura oposta e descreve a mobilização como sinal de grande força contra a reforma laboral. O pacote Trabalho XXI, aprovado pelo governo em 15 de maio e enviado ao parlamento, propõe mais de 100 mudanças ao Código do Trabalho.
Sem maioria absoluta na Assembleia da República, o governo de Luís Montenegro depende de apoios ou abstenções da oposição para fazer avançar a reforma. A greve e os confrontos reforçam a incerteza para empregadores, trabalhadores e serviços públicos, ao mesmo tempo que elevam o custo político de uma das principais apostas económicas do executivo.
Na nossa publicação anterior sobre a greve geral de 3 de junho, analisámos a avaliação inicial do Governo, que apontou para uma adesão limitada no setor privado e para um funcionamento global dos serviços, apesar de impactos mais visíveis no setor público. Também destacámos os principais focos de perturbação, incluindo transportes, saúde e educação, e como o executivo enquadrou estes dados no debate sobre a reforma laboral em preparação.
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