Autoridade Tributária enfrenta paralisação operacional com fecho de mais de 60 repartições em Portugal

Autoridade Tributária enfrenta paralisação operacional com fecho de mais de 60 repartições em Portugal
Paralisação fiscal fecha repartições

A rede de atendimento fiscal em Portugal sofre perturbações relevantes depois de uma assembleia de trabalhadores da Autoridade Tributária ter fechado mais de 60 repartições em 1 de junho de 2026. A paralisação expõe um impasse prolongado sobre carreiras, progressão e retenção de pessoal numa função crítica para cobrança de receita, alfândegas e serviços ao contribuinte.

Destaques

  • Mais de 2.000 profissionais da Autoridade Tributária paralisaram serviços em 11 distritos e nos Açores, fechando mais de 60 repartições em 4 de junho.
  • A paralisação afeta exportadores, importadores, compradores de habitação e empresas, gerando atrasos em certidões, operações aduaneiras e processos fiscais sensíveis ao calendário.
  • Greves recentes em 2021, 2024 e 2026, aliadas à ausência de solução para o Plano de Carreiras, elevam o risco de instabilidade laboral e operacional no setor fiscal.

Fecho nacional expõe impasse nas carreiras

Como noticiou o The Portugal Post, a assembleia de quatro horas mobiliza mais de 2.000 profissionais da Autoridade Tributária e afeta serviços em 11 distritos e nos Açores, travando pedidos de certidões, processos aduaneiros e vários atos administrativos. A ação decorre dentro do quadro legal aplicável à função pública, que permite reuniões sindicais em horário de trabalho até um limite anual definido.

No centro do conflito está a ausência de uma solução para o Plano de Carreiras, Funções e Remunerações, negociado desde dezembro de 2025 no Ministério das Finanças. Os trabalhadores, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, defendem regras claras de progressão, valorização profissional e segurança jurídica sobre o seu enquadramento, argumentando que os ajustamentos salariais gerais não resolvem bloqueios de promoção nem a saída de quadros para o setor privado.

O fecho não é uniforme, mas atinge cidades como Porto, Braga, Viseu, Aveiro, Coimbra, Leiria e Castelo Branco, enquanto Lisboa, Guarda e os Açores mantêm apenas funcionamento mínimo em alguns serviços. Para empresas e particulares, isso significa atrasos em certidões de situação tributária, recebimentos, atendimento telefónico e operações ligadas à atividade aduaneira.

Impacto económico aumenta pressão sobre o Governo

O efeito da paralisação estende-se a exportadores, importadores, profissionais independentes, compradores de habitação e empresas dependentes de prova de regularidade fiscal para crédito, transações e licenças. Com menos pessoal e atendimento parcial, aumentam filas, prazos de processamento e risco de atrasos em operações sensíveis ao calendário fiscal.

O Governo remete para medidas já incluídas no Orçamento do Estado para 2026, entre elas a subida do salário mínimo nacional para 920 euros mensais, a atualização dos escalões de IRS em 3,51% e a revisão de alguns subsídios. Ainda assim, estas medidas são vistas pelos trabalhadores como insuficientes para resolver a questão estrutural da carreira na Autoridade Tributária, já que o plano específico de reforma continua sem calendário público de aprovação.

O histórico recente reforça o risco de nova escalada laboral. O setor já registou greves e protestos em 2021, 2024 e 2026, num padrão em que a pressão sindical cresce enquanto a reforma estrutural permanece por concretizar. Se o Ministério das Finanças não apresentar uma proposta formal antes da pausa parlamentar de verão, a expectativa no setor é de novas assembleias, votações de greve e degradação adicional da capacidade operacional da administração fiscal.

Na nossa publicação anterior sobre a greve geral contra a reforma laboral Trabalho XXI, descrevemos como a paralisação e os confrontos junto à Assembleia da República elevaram a tensão política em torno do pacote com mais de 100 alterações ao Código do Trabalho. Também assinalámos que, sem maioria absoluta, o Governo enfrenta maior incerteza para fazer avançar a reforma, num contexto de forte pressão sindical e impactos visíveis nos serviços públicos.

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