A Caixa Geral de Depósitos reforça o seu perfil de crédito com uma melhoria das notações atribuídas pela Morningstar DBRS, num sinal positivo para o maior banco público português. A decisão abrange a avaliação de emissor de longo e curto prazo e reflete, segundo a agência, a rentabilidade resiliente, a qualidade dos ativos e a solidez de capital da instituição.
Destaques
- Morningstar DBRS elevou o rating de emissor de longo prazo da CGD de A para A (alta) e o de curto prazo de R-1 (baixa) para R-1 (média).
- A tendência da notação de depósitos de longo prazo passou de estável para positiva, refletindo robustos resultados, margem de juro elevada e custo de risco negativo.
- A avaliação destaca a forte posição de capital, melhoria sustentada na qualidade dos ativos e uma base de depósitos sólida e granular da CGD.
Melhoria das notações e fundamentos da decisão
Como adiantou a própria CGD em comunicado hoje divulgado, a Morningstar DBRS subiu a notação de emissor de longo prazo de A para A (alta) e elevou também a notação de crédito da dívida sénior de longo prazo para o mesmo nível.A agência melhorou ainda o rating de emissor de curto prazo de R-1 (baixa) para R-1 (média). Em simultâneo, confirmou as notações dos depósitos de longo prazo e de curto prazo em A (alta) e R-1 (média), respetivamente, indicando que estas se situam ao mesmo nível da República de Portugal.
A Morningstar DBRS alterou também a tendência da notação de crédito dos depósitos de longo prazo do banco de estável para positiva, enquanto as tendências das restantes notações permanecem estáveis. Segundo a agência, a revisão em alta reflete a geração de resultados robusta e resiliente da CGD, apoiada por crescimento sólido do crédito, elevada margem de juro líquida, controlo dos custos operacionais e custo de risco negativo, mesmo num contexto de taxas de juro mais normalizado.
Impacto para o banco e para o setor em Portugal
A agência considera que a CGD está bem posicionada para manter os atuais níveis de rentabilidade, tendo em conta a sua posição de liderança em Portugal e a resiliência da economia portuguesa, apesar de um enquadramento macroeconómico global mais desafiante.De acordo com a avaliação da Morningstar DBRS, a subida das notações incorpora também a melhoria sustentada dos indicadores de qualidade dos ativos do banco e a sua forte posição de capital. A análise destaca ainda a base de financiamento por depósitos, descrita como forte e granular, bem como um perfil de liquidez sólido, fatores que reforçam a capacidade da CGD para enfrentar condições de mercado mais exigentes.
Na nossa publicação, analisámos a trajetória económica de Portugal até 2026, destacando a subida dos salários reais e a concentração de investimento industrial em Sines, com o crescimento ainda dependente da evolução dos preços da energia. Nesse enquadramento, sublinhámos como um eventual novo choque energético e a dinâmica das taxas de juro podem pressionar inflação e condições de crédito, influenciando a atividade económica e o setor financeiro.
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