Cabaz alimentar em Portugal recua na semana, mas custo mantém-se 36% acima de 2022
Os preços do cabaz alimentar acompanhado em Portugal mostram um alívio semanal raro, num contexto em que as famílias continuam a enfrentar uma fatura de supermercado muito acima da registada no início de 2022. O conjunto de 63 produtos custa agora 255,57 euros, após uma descida de 3,74 euros na semana, embora permaneça 14,79 euros acima do nível do mesmo período do ano passado.
Destaques
- O cabaz alimentar padrão recuou para 255,57 euros, maior queda semanal desde abril, mas mantém-se 36% acima do valor de janeiro de 2022.
- Apesar da descida, itens como couve-coração (+9%), pão de forma sem côdea (+7%) e manteiga com sal (+5%) registaram aumentos semanais.
- A inflação global em Portugal situa-se em 3,1%, mas o cabaz alimentar subiu 6,14% em relação ao mesmo período do ano anterior, pressionando os orçamentos familiares.
Evolução recente do cabaz e referência de preços
ThePortugalPost.com adianta que a DECO PROteste confirmou uma descida semanal do cabaz alimentar padrão para 255,57 euros, a maior redução numa semana desde o início de abril. O indicador acompanha 63 bens essenciais, entre frescos, lacticínios, carne e produtos de despensa, usados como referência para os padrões de consumo das famílias portuguesas.Apesar deste recuo, o custo do cabaz continua 13,75 euros acima do valor do início de 2026 e 67,87 euros acima do registado em janeiro de 2022. Em termos acumulados, isso traduz-se num aumento superior a 36% desde o arranque da série de monitorização, mostrando que o alívio mais recente ainda não compensa a pressão prolongada sobre o orçamento doméstico.
Entre os movimentos semanais apontados no texto, a couve-coração sobe 0,15 euros, ou 9%, o pão de forma sem côdea avança 0,16 euros, ou 7%, e a manteiga com sal aumenta 0,12 euros, ou 5%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o carapau situa-se em 5,38 euros por quilo e os brócolos em 3,39 euros por quilo, enquanto, desde janeiro de 2022, a carne de vaca para cozer atinge 13,08 euros por quilo e os ovos 2,10 euros por dúzia.
Impacto nas famílias e contexto inflacionista
Para os consumidores, a descida semanal sugere uma estabilização pontual, mas não altera o facto de a alimentação continuar substancialmente mais cara do que há quatro anos. Famílias de rendimento médio, pensionistas e agregados com despesas fixas elevadas continuam a ser os mais expostos à persistência de preços elevados nos bens essenciais.O texto refere ainda uma inflação global de 3,1% em Portugal, ligeiramente abaixo dos 3,2% da Zona Euro, enquadrando a evolução dos alimentos num ambiente de desaceleração gradual da inflação. Ainda assim, a pressão anual sobre o cabaz permanece visível, com uma subida de 6,14% face ao mesmo período do ano anterior.
A leitura mais prudente dos dados indica que a redução semanal representa um sinal de alívio no curto prazo, mas não uma reversão completa da tendência acumulada desde 2022. Para já, o cabaz da DECO PROteste continua a funcionar como um termómetro relevante do custo de vida em Portugal e da capacidade de recuperação do poder de compra das famílias.
Na nossa publicação, acompanhámos a inflação em Portugal em maio e destacámos que, apesar da estabilidade do índice geral, a energia acelerou, aumentando a pressão sobre o orçamento das famílias. Também analisámos o efeito da subida da taxa de depósito do BCE e da Euribor no crédito à habitação com taxa variável, num contexto em que o cabaz de 63 bens essenciais dava um sinal pontual de alívio, mas ainda insuficiente para compensar os riscos e custos acumulados.
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