Portugal mantém destaque em segurança, mas enfrenta subida de afogamentos e fraudes
Portugal ocupa o sétimo lugar no Global Peace Index deste ano, reforçando a sua imagem de destino estável e de baixo crime violento. Ao mesmo tempo, o país enfrenta um aumento das mortes por afogamento e novos alertas sobre burlas, num contexto de forte pressão turística e crescimento populacional.
Destaques
- Portugal mantém-se no top 10 dos países mais pacíficos do Institute for Economics and Peace em 2026, superando França, Alemanha, Itália e UK.
- O país registou 57 afogamentos entre janeiro e maio de 2026, equiparando o pico de 2024, com todas as vítimas em zonas não vigiadas.
- Com 31,6 milhões de turistas e €27,7 mil milhões em receitas em 2024, aumentaram os furtos, fraudes, bilhetes falsos e crimes em áreas turísticas.
Ranking global contrasta com riscos concretos
Como noticiou o The Portugal Post, Portugal volta a figurar entre os países mais pacíficos do mundo no índice anual do Institute for Economics and Peace, que avalia 163 nações com base em conflito interno e externo, militarização e solidez institucional. O país mantém presença no top 10 desde 2015 e continua à frente de economias europeias maiores, como França, Alemanha, Itália e UK.O posicionamento reflete fatores estruturais, incluindo transições políticas sem violência, instituições democráticas estáveis e uma abordagem menos militarizada à segurança. O texto destaca também a descriminalização do consumo de drogas em 2001 como parte de uma estratégia mais orientada para tratamento do que para encarceramento, num quadro em que as taxas de homicídio permanecem abaixo da média da Europa Ocidental.
Apesar disso, a classificação internacional não capta a totalidade da experiência diária no país. O contraste torna-se mais evidente com os 57 afogamentos registados entre 1 de janeiro e 31 de maio de 2026, número quase igual ao observado no mesmo período de 2024, o pior ano desde o início da monitorização sistemática do Observatório do Afogamento em 2017.
Segundo os dados citados, todas as mortes ocorreram em locais sem vigilância, como rios, zonas costeiras sem patrulha, estradas inundadas, poços abandonados e reservatórios de rega. A Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores defende revisão das regras de licenciamento, mais financiamento para pessoal sazonal e campanhas de prevenção dirigidas a grupos e zonas de maior risco.
Turismo, burlas e pressão sobre a segurança local
O reforço da reputação externa de Portugal coincide com uma pressão crescente sobre os serviços de segurança e a gestão do espaço público. Em 2024, o país recebeu 31,6 milhões de visitantes e gerou 27,7 mil milhões de euros em receitas turísticas, um volume que ajuda a sustentar a narrativa de segurança, mas também aumenta a exposição a furtos e esquemas em áreas de grande afluência.Entre os alertas recentes está uma tentativa de falsa operação policial no Algarve em meados de junho. A unidade de investigação criminal da GNR em Loulé deteve um condutor que equipou o veículo com sinalização luminosa de aparência policial e tentou mandar parar outro automobilista, levando as autoridades a reforçar a orientação para que os condutores confirmem a identificação dos agentes e, em caso de dúvida, sigam para uma esquadra ou local movimentado antes de imobilizar o carro.
A GNR emitiu ainda um aviso sobre bilhetes falsos para o Mundial de 2026 e lotes de cromos vendidos em plataformas digitais não oficiais. O conselho das autoridades é limitar compras aos canais oficiais e denunciar vendedores suspeitos, num momento em que burlas de oportunidade se tornam mais frequentes com grandes eventos internacionais.
O texto refere também que o relatório de segurança interna de 2025 mostra subida da criminalidade geral, mesmo com recuo dos crimes violentos. Casos de agressão sexual aumentam, enquanto furtos por carteiristas e roubo de malas continuam recorrentes em zonas turísticas de Lisboa, Porto e Algarve, mantendo o desafio de conciliar a imagem internacional de país seguro com riscos concretos do quotidiano.
Na nossa publicação, analisámos as perspetivas do setor do turismo para o verão de 2026, com reservas em linha ou acima de 2025, mas num contexto mais exigente para hotéis e agências de viagens. O artigo destacava a maior sensibilidade ao preço e riscos operacionais e externos — como custos elevados, constrangimentos aeroportuários, instabilidade geopolítica e limitações de capacidade — que podem condicionar a sustentabilidade da época alta.
Últimas notícias Portugal
- Forex
- Crypto