Turismo em Portugal antecipa verão de 2026 positivo, mas com maior pressão sobre custos e operações
Os principais representantes do turismo em Portugal apontam para um verão de 2026 com procura resiliente, apesar de um ambiente operacional e comercial mais exigente. As reservas mantêm-se em linha ou acima de 2025, mas o setor alerta para maior sensibilidade ao preço, limitações de capacidade e riscos externos que podem condicionar o desempenho da época alta.
Destaques
- Reservas do setor hoteleiro para o verão de 2026 estão em linha ou acima de 2025, apesar da diminuição da confiança dos hoteleiros segundo a AHP.
- As principais associações do turismo português apontam para um verão 2026 positivo, mas alertam para maior pressão sobre custos, margens e operações devido a fatores externos.
- Riscos como custos elevados, constrangimentos aeroportuários, instabilidade geopolítica e limitação de capacidade podem impactar a sustentabilidade e execução do setor turístico em Portugal.
Procura sustenta expectativas para a época alta
Como noticiou o Jornal de Negócios, dirigentes das principais associações do setor turístico consideram que o desempenho de junho antecipa um verão globalmente positivo, embora marcado por maior exigência na gestão e na resposta operacional. Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, afirmou à Lusa que a performance deste mês aponta para um verão favorável, ainda que mais desafiante, com reservas em linha ou acima de 2025, apesar de uma descida na confiança dos hoteleiros medida no mais recente inquérito da AHP.Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens, faz uma leitura semelhante e descreve o verão de 2026 como ligeiramente positivo, mas muito mais exigente. Segundo o responsável, existe procura e vontade de viajar, mas o consumo não acontece de forma automática, com preço, segurança e confiança a pesarem mais na decisão dos clientes.
Também Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, refere que junho mostra sinais positivos para os próximos meses, com procura, intenção de viajar e mercado. Ainda assim, sublinha que não basta existir procura, sendo necessária capacidade de resposta, disponibilidade aérea, estabilidade operacional e preços que o mercado consiga absorver.
Custos, aeroportos e contexto externo condicionam o setor
As associações convergem na ideia de que o verão pode ser positivo para o turismo português, mas alertam para constrangimentos que pressionam margens e execução. Cristina Siza Vieira defende que o setor não enfrenta um cenário negativo, mas sim uma época que exige maior atenção à gestão de receita, aos custos, aos mercados emissores e à evolução do comportamento do consumidor.Miguel Quintas antecipa boa procura para viagens familiares, destinos de praia, ilhas, cruzeiros, escapadinhas e destinos considerados seguros, mas vê uma operação mais vulnerável a perturbações externas. Entre os fatores de risco, destaca combustível, alterações de rotas, constrangimentos aeroportuários e instabilidade geopolítica, defendendo que a estabilidade operacional nos aeroportos, a clareza nos preços e uma evolução positiva do contexto internacional são essenciais para confirmar a resiliência do setor.
Pedro Costa Ferreira afirma que Portugal continua competitivo e que os portugueses continuam a valorizar as férias, embora o setor enfrente custos elevados, pressão sobre a aviação, incerteza internacional e limitações de capacidade, sobretudo ao nível das infraestruturas aeroportuárias. Já Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, diz ser necessário aguardar, mas admite que o verão de 2026 fique muito próximo do registado no ano passado, cenário que, a confirmar-se, traduz uma época alta muito positiva.
Na nossa publicação, analisámos a privatização da TAP, que entra numa fase decisiva: o Governo prevê escolher o comprador em setembro, mas a entrada efetiva de capital só deverá acontecer em 2027. Também destacámos a hipótese de um modelo transitório de cogestão já em 2026 e a crescente pressão sobre os aeroportos nacionais, num contexto de tráfego recorde e necessidade de investimento e estabilidade operacional.
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