UE reforça pressão sobre a Rússia e aprova por unanimidade conclusões sobre a Ucrânia
Mais de um ano depois, os líderes da União Europeia voltam a aprovar por unanimidade conclusões sobre a Ucrânia, num sinal de maior coesão política em torno do apoio a Kiev. A decisão surge numa cimeira em Bruxelas marcada também pela renovação de sanções setoriais à Rússia por mais 12 meses e pelo apelo a um cessar-fogo imediato.
Destaques
- A UE aprova unanimemente conclusões sobre a Ucrânia, renovando sanções setoriais à Rússia por mais 12 meses e reforçando apoio diplomático.
- Os líderes da UE defendem rápida adoção do 21.º pacote de sanções, com novas restrições ao setor energético e bancário russo para enfraquecer a economia de guerra de Moscovo.
- A União Europeia inicia formalmente negociações de adesão com a Ucrânia e planeja proibir a entrada de combatentes russos envolvidos na guerra no território europeu.
Decisão unânime e reforço da via diplomática
Segundo o Jornal de Negócios, os 27 líderes da UE aprovam esta quinta-feira conclusões sobre a Ucrânia com apoio unânime, algo que não acontecia desde dezembro de 2024.António Costa escreve nas redes sociais que os líderes estão unidos e empenhados em apoiar a Ucrânia, pouco antes de terminar o debate sobre o tema na cimeira europeia, que conta com a presença de Volodymyr Zelensky. Uma porta-voz do presidente do Conselho Europeu indica também que os chefes de Estado e de Governo decidem renovar as sanções setoriais à Rússia por mais 12 meses.
Nas conclusões adotadas, que recebem a aprovação do novo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, os líderes europeus dizem apoiar os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra e mostram-se disponíveis para intensificar o seu empenho nesse processo. O texto sublinha ainda que a Europa quer ter um papel central numa futura resolução do conflito e está pronta para defender os seus interesses.
Sanções, segurança europeia e alargamento
Os líderes da UE instam a Rússia a demonstrar vontade genuína de paz, aceitar um cessar-fogo total, incondicional e imediato e envolver-se em negociações construtivas para uma paz justa e duradoura. Ao mesmo tempo, condenam a recente escalada militar russa, incluindo o ataque à Catedral da Dormição em Kiev e o incidente com um drone russo na Roménia, reafirmando o compromisso com a segurança de todos os Estados-membros.No plano económico e de segurança, o Conselho Europeu mantém o objetivo de aumentar a pressão sobre Moscovo para enfraquecer a sua economia de guerra. Os líderes defendem a redução adicional das receitas energéticas da Rússia, o travão às operações da chamada frota paralela e novas restrições ao sistema bancário russo, além de apelarem à rápida adoção do 21.º pacote de sanções atualmente em discussão.
Entre as medidas em análise está a proibição de entrada na UE de combatentes russos que tenham participado na guerra na Ucrânia, por poderem representar uma ameaça de longo prazo à segurança interna do bloco. Os líderes saúdam ainda a abertura dos primeiros capítulos das negociações de adesão da Ucrânia à UE e dizem esperar que os restantes avancem o mais rapidamente possível.
As negociações do Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 estiveram no centro da nossa análise anterior, com Portugal a formar uma frente comum com os “Amigos da Coesão” para travar cortes nas verbas de coesão e na agricultura. Explicámos que, apesar de um reforço adicional estimado de cerca de 1,6 mil milhões de euros no envelope nacional, o resultado final continua dependente do equilíbrio global das contas europeias e de novas fontes de receita.
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