Portugal agrava défice externo com subida dos custos do crédito e novo imposto sobre energia em preparação
O excedente externo de Portugal encolhe para 814 milhões de euros até abril, refletindo um deteriorar de 47% face ao mesmo período de 2025 num momento de maior pressão sobre famílias e empresas. O recuo resulta do alargamento do défice de bens e de custos mais elevados no transporte marítimo, enquanto o governo prepara novas medidas fiscais para o setor energético.
Destaques
- O saldo conjunto das contas corrente e de capital caiu para 814 milhões de euros até abril, abaixo dos 1,54 mil milhões em 2025.
- O défice de bens agravou-se em 968 milhões de euros com importações a aumentarem 2,13 mil milhões e exportações apenas 1,165 mil milhões.
- O excedente dos serviços recuou 167 milhões de euros devido à subida dos custos de transporte marítimo, afetando retalho e transformação alimentar.
Contas externas perdem força em 2026
A ThePortugalPost noticia que o Banco de Portugal atribui a redução do excedente externo ao agravamento do défice comercial de bens e à compressão do saldo dos serviços, num arranque de 2026 marcado por maior dependência de importações e por encargos logísticos mais altos.Até abril, o saldo conjunto das contas corrente e de capital fixa-se em 814 milhões de euros, abaixo dos 1,54 mil milhões registados no mesmo período de 2025. Apesar de abril ter mostrado uma recuperação mensal para 626 milhões de euros, acima dos 338 milhões de março e também do valor de abril do ano passado, o acumulado do ano continua a apontar para uma erosão mais profunda da posição externa portuguesa.
O banco central identifica dois fatores principais para esta deterioração. O défice de bens aumenta em 968 milhões de euros, com as importações a crescerem 2,13 mil milhões de euros e as exportações apenas 1,165 mil milhões. Ao mesmo tempo, o excedente dos serviços recua em 167 milhões de euros, sobretudo devido à subida dos custos do transporte marítimo, que afeta setores mais expostos à logística, como retalho e transformação alimentar.
Num sinal parcialmente compensatório, os défices de rendimento primário diminuem em 468 milhões de euros, beneficiando da descida dos pagamentos de juros a credores externos. Já a conta financeira apresenta um saldo positivo de 890 milhões de euros, apoiado por investimentos de seguradoras e fundos de pensões em dívida europeia e por um aumento de depósitos no exterior por parte de famílias e entidades públicas.
Na nossa publicação anterior, analisámos os dados do Banco de Portugal que mostram que a economia portuguesa manteve excedente externo até abril, mas com uma queda acentuada face a 2025. O recuo foi explicado pelo agravamento do défice da balança de bens — com importações a crescerem mais do que as exportações — e pela redução do excedente dos serviços, apesar da melhoria no défice de rendimento primário e de uma capacidade de financiamento sustentada na balança financeira.
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