Cabaz alimentar em Portugal retoma subida e agrava pressão sobre orçamento das famílias
O custo do cabaz alimentar essencial acompanhado em Portugal volta a subir na semana de 10 a 17 de junho, após uma breve trégua, e atinge 257,68 euros para 63 produtos. O aumento semanal de 2,11 euros reforça a volatilidade dos gastos domésticos e amplia a subida acumulada desde o início de 2026 e desde 2022.
Destaques
- O cabaz alimentar de 63 bens essenciais em Portugal subiu para 257,68 euros na semana de 10 a 17 de junho, um aumento de 2,11 euros face à semana anterior.
- O preço dos cereais de pequeno-almoço aumentou 18% para 2,83 euros por embalagem, cavala avançou 16% para 6,25 euros/kg e couve-coração cresceu 12% para 2,63 euros/kg nesta semana.
- A inflação alimentar em Portugal atingiu 3,3% em maio de 2026, acima dos 1,6% da União Europeia e Zona Euro, levando o governo a prolongar até fim de 2026 medidas de alívio fiscal como IVA zero nos fatores da produção agrícola.
Evolução do cabaz e produtos com maior subida
Como noticiou o ThePortugalPost.com, com base no acompanhamento da DECO PROteste, o cabaz de 63 bens essenciais passa a custar 257,68 euros na semana de 10 a 17 de junho, o que representa uma subida de 2,11 euros face aos sete dias anteriores e interrompe a descida observada nas últimas semanas.A seleção monitorizada inclui categorias como carne, congelados, fruta e legumes, lacticínios, mercearia e peixe, procurando refletir uma compra habitual de um agregado familiar em Portugal. Entre os produtos com maior aumento semanal estão os cereais de pequeno-almoço, que sobem 18% para 2,83 euros por embalagem, a cavala, que avança 16% para 6,25 euros por quilo, e a couve-coração, que cresce 12% para 2,63 euros por quilo.
Numa comparação mais longa, o mesmo cabaz custa mais 15,86 euros do que em janeiro de 2026, uma subida de 6,56%, e mais 14,90 euros do que em meados de junho de 2025, equivalente a 6,14%. Face ao início de 2022, quando a DECO PROteste começou a seguir este indicador, o aumento acumulado é de 69,98 euros, ou 37,28%, com produtos como a carne para cozer, os ovos, a couve-coração e o robalo a registarem valorizações expressivas.
Impacto económico e resposta política
A pressão sobre os preços alimentares em Portugal mantém-se acima da média europeia. Em maio de 2026, a inflação alimentar no país situa-se em 3,3%, acima dos 1,6% registados na União Europeia e na Zona Euro, num contexto em que os custos de produção, energia, logística e matérias-primas continuam elevados e em que episódios meteorológicos extremos no início de 2026 também afetam a oferta agrícola.O texto refere ainda que as tensões geopolíticas no Médio Oriente e na zona do Estreito de Ormuz sustentam custos energéticos mais altos, enquanto exigências regulatórias europeias em matérias ambientais e de bem-estar animal aumentam a pressão sobre os produtores. As previsões apontam para nova intensidade da inflação alimentar na Europa ao longo de 2026 e de 2027, embora Portugal possa registar alguma moderação gradual nos próximos anos.
Perante este cenário, o Ministério da Economia e das Finanças prolonga até ao fim de 2026 medidas temporárias de alívio, incluindo IVA zero nos fatores de produção agrícola, atualização dos escalões de IRS, reforço do Complemento Solidário para Idosos e manutenção do Observatório de Preços Agroalimentar. Ao mesmo tempo, propostas para repor o antigo regime de IVA Zero sobre um cabaz de alimentos essenciais são rejeitadas no debate orçamental de 2026, enquanto o governo admite avançar com novas medidas se a escalada dos preços persistir durante várias semanas e ganhar caráter estrutural.
Para os consumidores, a subida do cabaz traduz-se em escolhas mais restritivas na gestão do orçamento, substituição de proteínas mais caras por alternativas de menor custo e maior atenção a promoções e compras planeadas. A evolução semanal deste indicador continua assim a funcionar como referência para medir a pressão real sentida pelas famílias nas compras do dia a dia.
Na nossa publicação, acompanhámos o estudo da U-TAX sobre a eliminação das taxas preferenciais do IVA e a simulação de uma taxa única em Portugal, avaliando o impacto na receita do Estado. O texto enquadrou esta possível reforma como uma mudança estrutural no sistema fiscal, ligada a objetivos de simplificação e equilíbrio orçamental, num contexto de debate político sobre impostos.
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