Caixa Geral de Depósitos eleva receita do Estado com dividendo recorde de 1,25 mil milhões de euros
A transferência da Caixa Geral de Depósitos para o Tesouro ocorre no fim de junho e reforça as receitas do Orçamento do Estado de 2026 numa altura em que o Governo previa encaixar cerca de 1 mil milhão de euros com o banco público. O pagamento, aprovado em assembleia geral, resulta do lucro líquido recorde de 1,9 mil milhões de euros obtido em 2025 e supera a estimativa inicial inscrita nas contas públicas.
Destaques
- Caixa Geral de Depósitos aprovou dividendo recorde de 1,25 mil milhões de euros, equivalente a 1,38 euros por ação, para pagamento em 26 de junho.
- O lucro líquido de 2025 atingiu 1,9 mil milhões de euros, crescimento de 10% em relação a 2024, impulsionado por ganhos extraordinários de 188 milhões e reembolso de 29 milhões de euros.
- O dividendo excede em 25% a previsão inicial do Orçamento do Estado para 2026, reforçando o encaixe público e aumentando a margem orçamental do Estado para o segundo semestre de 2026.
Distribuição aprovada e origem dos resultados
Segundo o ThePortugalPost, a Caixa Geral de Depósitos vai transferir 1,25 mil milhões de euros para o Tesouro em 26 de junho, num dividendo de 1,38 euros por ação que Paulo Macedo classifica como provavelmente o maior alguma vez pago por um banco português.O montante foi aprovado na assembleia geral de 29 de maio de 2026 e é financiado pelos resultados de 2025, quando a CGD registou um lucro líquido de 1,9 mil milhões de euros, o valor mais elevado da sua história. Esse resultado representa uma subida de 10% face a 2024.
Entre os fatores que impulsionam as contas estão um ganho de 188 milhões de euros com a venda da participação da CGD na Águas de Portugal ao Estado e um reembolso de 29 milhões de euros relativo a uma contribuição bancária considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional em 2024. No crédito, a atividade doméstica cresce 3,9 mil milhões de euros, com a concessão de crédito à habitação a subir 40%, para 5,8 mil milhões, e o crédito a empresas a avançar 5%, para 22 mil milhões de euros.
A qualidade do crédito melhora e o banco reduz o quadro doméstico em 211 trabalhadores, mantendo estáveis os custos com pessoal. Paulo Macedo avisa, porém, que os resultados de 2025 serão difíceis de repetir, sobretudo devido ao peso dos ganhos extraordinários.
Impacto nas contas públicas e no setor bancário
Para as finanças públicas, o encaixe reforça a linha de rendimentos de propriedade do Orçamento do Estado de 2026. As projeções iniciais apontavam para cerca de 1,44 mil milhões de euros em dividendos de empresas públicas, dos quais perto de 1 mil milhão deveria vir da CGD, pelo que o valor agora confirmado fica 25% acima dessa estimativa.Desde a recapitalização estatal de 3,9 mil milhões de euros em 2017, a CGD já devolve 3,4 mil milhões de euros em dividendos ao acionista Estado. A operação marca também uma das maiores transferências do banco para o setor público desde o resgate, sublinhando a recuperação da instituição.
No mercado doméstico, a CGD mantém uma quota de 17,9% no crédito total em Portugal e preserva a liderança nos empréstimos internos. Os depósitos sobem 3,3%, para 78,2 mil milhões de euros, enquanto o crescimento do crédito à habitação continua a ser o principal motor comercial do banco.
O pagamento de 26 de junho surge ainda antes da divulgação de resultados de outros bancos portugueses no fim de julho, o que pode aumentar a atenção dos investidores sobre futuras distribuições no setor. Para o Estado, a entrada adicional oferece maior margem orçamental para acomodar prioridades de despesa ou reduzir necessidades de financiamento no segundo semestre de 2026.
Na nossa publicação anterior sobre a evolução das taxas Euribor e o impacto no crédito à habitação em Portugal, detalhámos como movimentos divergentes entre os prazos (3, 6 e 12 meses) afetam de forma desigual as prestações das famílias, com especial peso da Euribor a seis meses na maioria dos contratos de taxa variável. Também enquadrámos a influência das decisões do BCE nas taxas diretoras e as opções mais comuns para mitigar o aumento dos encargos, como renegociação, mudança para taxa fixa/mista ou transferência do crédito.
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