Portugal vê imigração sustentar população e mercado de trabalho
Portugal encerra 2025 com crescimento populacional marginal, sustentado pela entrada de estrangeiros num contexto de saldo natural negativo. Os residentes estrangeiros já somam 1.597.539 pessoas, ou 14% da população total, com os brasileiros a representarem a maior comunidade.
Destaques
- Em 2025, Portugal regista saldo natural negativo de 34.053 pessoas, mas a população sobe 0,32% para 11.424.031 residentes devido à imigração.
- Os cidadãos brasileiros representam 35,9% dos imigrantes em Portugal, com 574.195 residentes, reforçando a faixa etária ativa (86,1% dos estrangeiros possuem 15-64 anos).
- Saldo migratório líquido cai de mais de 300 mil em 2022/2023 para 188.252 em 2024 e 59.113 em 2025 após fim da via das manifestações de interesse.
Dados demográficos mostram mudança estrutural
A imprensa ThePortugalPost indica que a imigração compensa o recuo natural da população portuguesa, depois de o país registar em 2025 um saldo de 34.053 mortes acima dos nascimentos. No final do ano, a população residente atinge 11.424.031 pessoas, uma subida de 0,32% face ao ano anterior que, sem fluxos migratórios, seria negativa.Os dados apresentados atribuem aos cidadãos brasileiros 574.195 residentes, equivalentes a 35,9% da população estrangeira. Seguem-se angolanos, com 103.140, indianos, com 93.683, cabo-verdianos, com 76.099, nepaleses, com 56.866, e bangladeshianos, com 56.724.
O perfil desta população difere do conjunto dos residentes nacionais, mais envelhecido. Entre os estrangeiros, 57,2% são homens e 86,1% situam-se entre os 15 e os 64 anos, reforçando a faixa etária ativa num período em que a proporção de jovens na população total recua de 13% para 12,4% entre 2021 e 2025.
Pressão regional e travagem nas entradas
O Algarve concentra a maior fatia proporcional de residentes estrangeiros, com 27,9% da sua população, ou 161.556 pessoas. A Grande Lisboa segue com 22,6%, o equivalente a 546.419 residentes e a 34,2% de todos os estrangeiros no país, enquanto a Península de Setúbal regista 18,3%.Esta concentração aumenta a pressão sobre habitação, serviços públicos e integração local, sobretudo em Lisboa, Porto e zonas costeiras. Ao mesmo tempo, regiões do interior dependem cada vez mais de trabalhadores migrantes para manter atividade económica e serviços essenciais.
O texto refere ainda que a eliminação, em 2024, da via das manifestações de interesse retirou um mecanismo usado para regularização de imigrantes que entravam com visto de turismo e depois obtinham emprego. Após saldos migratórios líquidos superiores a 300 mil pessoas em 2022 e 2023, o valor desce para 188.252 em 2024 e volta a cair para 59.113 em 2025, sinalizando um abrandamento nas novas entradas.
Para 2026, o país enfrenta um teste à sustentabilidade demográfica e laboral, já que a evolução da população ativa, da base fiscal e da resposta do sistema de pensões continua dependente da capacidade de atrair e fixar imigrantes em níveis suficientes.
Na nossa publicação anterior sobre as novas estimativas demográficas do INE para Portugal, destacámos a revisão em alta da população residente para 11.424.031 pessoas no final de 2025, com base em dados administrativos. Também salientámos que o crescimento continuou a depender do saldo migratório, apesar do saldo natural negativo, mas que em 2025 houve desaceleração nas entradas, com o saldo migratório a cair face ao ano anterior. Por fim, apontámos que esta revisão estatística pode levar a ajustamentos nos próximos meses em indicadores como população empregada e PIB.
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