Portugal aprofunda queda do desemprego em maio e reforça pressão salarial
O mercado de trabalho português volta a apertar em maio, com 274.766 pessoas inscritas nos centros de emprego no fim do mês. A descida de 8,7% face a um ano antes e de 3% em relação a abril sugere menor folga na oferta de mão de obra, embora persistam falhas de ajustamento entre vagas e colocações.
Destaques
- A taxa de desemprego em Portugal caiu para 5,7% em abril, abaixo da média da Zona Euro de 6,3% e da UE de 6,0%.
- O número de casais em que ambos estão desempregados recuou 10,9% em maio, para 4.304, reduzindo pressão sobre benefícios sociais.
- Projeções indicam aumento salarial privado entre 3,2% e 3,5% em 2026, acima da inflação prevista de 2,0%, reforçando o poder negocial dos trabalhadores.
Impacto nos salários, famílias e estabilidade laboral
A redução do desemprego também alivia a pressão sobre os agregados familiares mais expostos. O número de casais em que ambos os membros estão simultaneamente inscritos nos centros de emprego baixa 10,9% em termos homólogos e em cadeia, para 4.304 casais, o equivalente a 8.608 pessoas, diminuindo o universo de famílias dependentes do reforço de 10% nas prestações de desemprego quando existem dependentes a cargo.Nos mecanismos de lay-off, 4.778 trabalhadores entram em regimes de redução temporária do período normal de trabalho ou suspensão em maio, um aumento homólogo de 1,1%, mas uma descida de 4,5% face a abril. Trata-se do segundo recuo mensal consecutivo e do valor mais baixo desde setembro de 2025; o regime de suspensão temporária abrange 2.438 trabalhadores, mais 43,1%, enquanto os horários reduzidos abrangem 2.340, menos 22,5%, e 265 empregadores recorrem a estes apoios.
No enquadramento mais amplo, a taxa de desemprego de Portugal situa-se em 5,7% em abril, abaixo da média da Zona Euro, de 6,3%, e da média da UE, de 6,0%. Com a subida do salário mínimo nacional para 920 euros brutos por mês em janeiro de 2026 e projeções de aumentos salariais no setor privado entre 3,2% e 3,5%, acima da inflação prevista de 2,0%, o aperto do mercado de trabalho tende a reforçar o poder negocial dos trabalhadores, sobretudo em áreas como tecnologia, saúde, finanças, construção e hotelaria.
Ainda assim, a evolução permanece desigual. A persistência do fosso entre ofertas e colocações, a subida do desemprego entre gestores e a manutenção do desemprego jovem em 17,9% mostram que a melhoria não é uniforme entre profissões e faixas etárias, mesmo com Portugal a apresentar um desempenho mais favorável do que economias como Espanha, França e Finlândia.
Na nossa publicação anterior sobre a queda do desemprego registado em maio em Portugal, detalhámos a descida para 274.766 inscritos nos centros de emprego, com recuos em todas as regiões e setores face a 2025 e também em cadeia. Assinalámos ainda que, apesar de menos desempregados, as ofertas recebidas e as colocações efetuadas diminuíram, sugerindo um mercado com melhoria no stock, mas menor dinamismo no fluxo de novas oportunidades e integrações.
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