José Antonio  Gastelum

Parlamento Europeu testa plano do BCE para euro digital nos pagamentos

Parlamento Europeu testa plano do BCE para euro digital nos pagamentos
Euro digital em teste

Cinco anos após o arranque dos trabalhos, o euro digital enfrenta esta terça-feira a sua primeira grande decisão política no Parlamento Europeu. O projeto é central para a estratégia do Banco Central Europeu de reduzir a dependência da Visa e da Mastercard nos pagamentos internacionais, mas ainda não tem maioria assegurada entre os 720 eurodeputados.

Destaques

  • O Parlamento Europeu vota nesta terça-feira o projeto do euro digital, cinco anos após o início dos trabalhos liderados pelo Banco Central Europeu.
  • O BCE busca obter respaldo político para o euro digital, visando limitar a hegemonia da Visa e da Mastercard nos pagamentos internacionais.
  • A indefinição da maioria entre os 720 eurodeputados mantém incertezas sobre o avanço do projeto, crucial para a autonomia dos sistemas de pagamento europeus.

Votação europeia põe projeto à prova

Como avança o Jornal de Negócios, a iniciativa do euro digital chega ao Parlamento Europeu para um teste decisivo, num momento em que o Banco Central Europeu procura obter respaldo político para uma das peças mais ambiciosas da sua estratégia para os mercados financeiros. A votação desta terça-feira surge cinco anos depois de o trabalho sobre o projeto ter começado e mede o apoio parlamentar a uma proposta que ainda enfrenta incerteza.

O objetivo do BCE é criar uma alternativa que limite a hegemonia da Visa e da Mastercard nos pagamentos internacionais. A proposta é apresentada como um elemento central da futura arquitetura financeira europeia, mas o seu avanço depende do consentimento do órgão legislativo europeu.

Impacto para os pagamentos e para a autonomia europeia

A ausência de uma maioria certa entre os 720 eurodeputados mantém em aberto o desfecho político desta fase. Isso coloca pressão adicional sobre um projeto que o supervisor monetário vê como estratégico para reforçar a autonomia europeia nos sistemas de pagamento.

Se obtiver apoio suficiente, o euro digital poderá ganhar tração como instrumento para redesenhar parte da infraestrutura de pagamentos na Europa. Se esse apoio falhar, o BCE enfrenta um travão relevante num plano que pretende influenciar a evolução dos mercados financeiros do bloco.

No nosso artigo anterior sobre o euro digital, analisámos como a proposta pode reforçar a soberania monetária europeia e reduzir a dependência de redes de pagamento não europeias. Também destacámos os potenciais benefícios para empresas e consumidores, como a diminuição de custos de transação e a ampliação do acesso a pagamentos digitais, defendendo em paralelo que o numerário físico deve ser preservado para garantir inclusão e confiança.

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