Parlamento Europeu testa plano do BCE para euro digital nos pagamentos
Cinco anos após o arranque dos trabalhos, o euro digital enfrenta esta terça-feira a sua primeira grande decisão política no Parlamento Europeu. O projeto é central para a estratégia do Banco Central Europeu de reduzir a dependência da Visa e da Mastercard nos pagamentos internacionais, mas ainda não tem maioria assegurada entre os 720 eurodeputados.
Destaques
- O Parlamento Europeu vota nesta terça-feira o projeto do euro digital, cinco anos após o início dos trabalhos liderados pelo Banco Central Europeu.
- O BCE busca obter respaldo político para o euro digital, visando limitar a hegemonia da Visa e da Mastercard nos pagamentos internacionais.
- A indefinição da maioria entre os 720 eurodeputados mantém incertezas sobre o avanço do projeto, crucial para a autonomia dos sistemas de pagamento europeus.
Votação europeia põe projeto à prova
Como avança o Jornal de Negócios, a iniciativa do euro digital chega ao Parlamento Europeu para um teste decisivo, num momento em que o Banco Central Europeu procura obter respaldo político para uma das peças mais ambiciosas da sua estratégia para os mercados financeiros. A votação desta terça-feira surge cinco anos depois de o trabalho sobre o projeto ter começado e mede o apoio parlamentar a uma proposta que ainda enfrenta incerteza.O objetivo do BCE é criar uma alternativa que limite a hegemonia da Visa e da Mastercard nos pagamentos internacionais. A proposta é apresentada como um elemento central da futura arquitetura financeira europeia, mas o seu avanço depende do consentimento do órgão legislativo europeu.
Impacto para os pagamentos e para a autonomia europeia
A ausência de uma maioria certa entre os 720 eurodeputados mantém em aberto o desfecho político desta fase. Isso coloca pressão adicional sobre um projeto que o supervisor monetário vê como estratégico para reforçar a autonomia europeia nos sistemas de pagamento.Se obtiver apoio suficiente, o euro digital poderá ganhar tração como instrumento para redesenhar parte da infraestrutura de pagamentos na Europa. Se esse apoio falhar, o BCE enfrenta um travão relevante num plano que pretende influenciar a evolução dos mercados financeiros do bloco.
No nosso artigo anterior sobre o euro digital, analisámos como a proposta pode reforçar a soberania monetária europeia e reduzir a dependência de redes de pagamento não europeias. Também destacámos os potenciais benefícios para empresas e consumidores, como a diminuição de custos de transação e a ampliação do acesso a pagamentos digitais, defendendo em paralelo que o numerário físico deve ser preservado para garantir inclusão e confiança.
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