Parlamento Europeu avança euro digital com lançamento previsto na zona euro até 2029

Parlamento Europeu avança euro digital com lançamento previsto na zona euro até 2029
Euro digital até 2029

A União Europeia aproxima-se da criação de uma alternativa pública de pagamentos digitais que poderá chegar aos residentes em Portugal até 2029. A proposta prevê serviços básicos gratuitos, regras de privacidade reforçadas e limites de saldo para reduzir riscos para a banca comercial.

Destaques

  • O Parlamento Europeu aprovou por 43-14 o avanço do euro digital, com fase-piloto prevista para 2027 e lançamento público em 2029.
  • A proposta limita o saldo por pessoa a cerca de 3.000 euros, prevê gratuidade nos serviços essenciais e veda remuneração de juros, visando evitar fuga de depósitos comerciais.
  • Os bancos da zona euro precisarão investir em integração, mas poderão operar numa rede de pagamentos pan-europeia mais barata e menos dependente de Visa e Mastercard.

Votação abre caminho ao modelo de implementação

Como noticiou o The Portugal Post, a Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou a sua posição negocial sobre o euro digital por 43 votos a 14, com uma abstenção. O projeto define uma moeda eletrónica emitida pelo Banco Central Europeu, complementar ao numerário, e distribuída por intermediários supervisionados, incluindo bancos tradicionais e fintechs.

O sistema passa a suportar pagamentos online baseados em conta e transferências offline entre dispositivos, sem ligação à internet. O texto indica que a fase-piloto arranca em 2027 e que a disponibilização ao público é esperada em 2029, se a legislação final for concluída até ao fim de 2026.

Para os utilizadores, a proposta determina gratuitidade em serviços essenciais, como abertura de conta, gestão de fundos e instrumentos de pagamento. Também fixa um limite de cerca de 3.000 euros por pessoa em euros digitais, enquanto as empresas não podem manter saldos durante a noite, salvo recebimentos diários por um máximo de 24 horas.

Impacto para Portugal e desafios para a banca

Em Portugal, o euro digital poderá criar um meio de pagamento pan-europeu sem comissões para o utilizador final e com aceitação alargada na zona euro. A proposta obriga a maioria dos negócios a aceitar este meio de pagamento, embora microempresas e empresários em nome individual sem opções digitais já existentes fiquem isentos.

O desenho sem remuneração de juros procura evitar a transferência massiva de depósitos para fora da banca comercial e manter o euro digital como instrumento transacional, não de poupança. Quando um pagamento excede o saldo disponível na carteira digital, o sistema pode ligar-se à conta bancária tradicional para cobrir automaticamente a diferença.

A proposta também procura responder às preocupações com privacidade. Os pagamentos offline funcionam de forma semelhante ao uso de numerário, sem registo central, enquanto as operações online recorrem a tecnologias de verificação que validam a transação sem expor dados pessoais ao Banco Central Europeu, embora os intermediários continuem sujeitos às regras europeias de combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

Para o setor financeiro, a iniciativa combina custo e oportunidade. Os bancos da zona euro terão de suportar a integração da infraestrutura, mas passam a poder operar numa rede europeia de pagamentos de menor custo e desenvolver novos serviços sobre essa base, num momento em que o bloco procura reduzir a dependência de operadores norte-americanos como Visa e Mastercard.

Na nossa publicação anterior, detalhámos a aprovação, no comitê ECON do Parlamento Europeu, do quadro jurídico que aproxima o euro digital da implementação, incluindo versões online e offline. Também destacámos que a iniciativa pretende complementar o dinheiro físico (sem o substituir) e que o BCE aponta para um possível lançamento em 2029, condicionado à conclusão da legislação até 2026.

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