Portugal reforça combate ao tráfico marítimo de cocaína no Atlântico

Portugal reforça combate ao tráfico marítimo de cocaína no Atlântico
Portugal intensifica combate marítimo

A pressão sobre as rotas marítimas do Atlântico aumenta após uma operação coordenada por Portugal apreender mais de 465 quilos de cocaína e 42 quilos de haxixe entre 27 de maio e 15 de junho. A ação, que abrange águas internacionais entre as Canárias, a Madeira e os Açores, evidencia o peso crescente dos arquipélagos portugueses num corredor transatlântico de narcotráfico com impacto na segurança, na saúde pública e nos custos de fiscalização.

Destaques

  • A Operação Azul 2.0, coordenada pela Polícia Judiciária e envolvendo seis embarcações, resulta na apreensão de duas lanchas rápidas, 800 litros de combustível e detenção de três suspeitos.
  • Portugal apreende 23 toneladas de cocaína em 2024 e 25,63 toneladas em 2025, com cerca de 95% das entradas por via marítima e quatro laboratórios desmantelados.
  • A Polícia Judiciária detém 1.773 pessoas ligadas ao tráfico de cocaína em 2025, aumento de 14,2% face a 2024, refletindo pressão crescente sobre recursos públicos e regulatórios.

Operação atlântica e método das redes

Como noticiou o ThePortugalPost, a Operação Azul 2.0 mobiliza meios de Portugal, Espanha, França, UK e U.S., com coordenação da Polícia Judiciária e apoio do Maritime Analysis and Operations Centre, Narcotics, da FRONTEX e da Europol. No total, as autoridades inspecionam seis embarcações, apreendem duas lanchas rápidas e 800 litros de combustível, e detêm três suspeitos no âmbito da operação.

O foco da vigilância concentra-se no corredor do Atlântico oriental entre as Canárias e os arquipélagos portugueses da Madeira e dos Açores. Essa faixa oceânica, distante das jurisdições continentais, é usada como ponto de transbordo para cargas de cocaína transferidas de navios de maior porte para embarcações rápidas concebidas para evitar patrulhas costeiras.

Segundo a descrição da operação, as redes criminosas atuam em três fases: a travessia de navios oriundos sobretudo da Colômbia, do Brasil e do Equador; a transferência em alto-mar para lanchas semirrígidas de grande autonomia; e a entrega final em zonas costeiras remotas de Portugal e de Espanha. O isolamento do corredor e os custos de vigilância contínua tornam essa rota especialmente atrativa para organizações que procuram reduzir o risco de deteção em portos sob controlo mais apertado.

Impacto para Portugal e pressão sobre segurança pública

Portugal consolida-se como um nó relevante na cadeia europeia da cocaína, tanto como ponto de trânsito como de processamento. Em 2024, o país regista 23 toneladas apreendidas, o sexto maior volume da União Europeia, e em 2025 esse total sobe para 25,63 toneladas em 1.984 operações, com cerca de 95% das entradas por via marítima.

As autoridades portuguesas também desmantelam quatro laboratórios de cocaína em 2024, enquanto os Açores e a Madeira concentram a maior fatia das apreensões devido à sua posição geográfica. Em janeiro, uma força internacional interceta perto dos Açores um semissubmersível artesanal com cerca de 8 toneladas de cocaína, no maior caso do género em Portugal.

A resposta regulatória inclui regras marítimas mais apertadas para lanchas rápidas, frequentemente associadas à fase final do contrabando, permitindo maior capacidade de inspeção, apreensão e acusação. Ao mesmo tempo, a Polícia Judiciária detém 1.773 pessoas ligadas ao tráfico de cocaína em 2025, mais 14,2% do que em 2024, num contexto em que o mercado europeu continua a expandir-se e a pressionar recursos públicos de vigilância, justiça e saúde.

Para residentes e operadores marítimos, o reforço do combate traduz-se em mais inspeções, maior presença policial em marinas e zonas costeiras e risco acrescido de infiltração criminosa em economias locais. O avanço deste corredor atlântico também agrava custos sociais e sanitários, numa altura em que a cocaína continua associada a um número elevado de mortes por overdose e a uma procura persistente no mercado europeu.

No nosso artigo anterior sobre a falha de comunicação entre o Ministério Público, a Polícia Judiciária e o SIS no caso do Movimento Armilar Lusitano, detalhámos como a ausência de partilha atempada de uma lista de mais de 120 alvos dificultou a ativação de avaliações de risco e medidas de proteção. Também descrevemos as apreensões de armamento e explosivos e os indícios de infiltração institucional, num episódio que reacendeu o debate sobre a eficácia dos protocolos nacionais de segurança e contraterrorismo.

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