Taxas da Euribor em Portugal dividem impacto no crédito à habitação

Taxas da Euribor em Portugal dividem impacto no crédito à habitação
Euribor divide impacto

Os mutuários com crédito à habitação de taxa variável em Portugal enfrentam sinais divergentes nas prestações, com a Euribor a seis meses a recuar para 2,606% e a taxa a 12 meses a subir para 2,785%. O movimento surge depois de o Banco Central Europeu voltar a subir os juros em 11 de junho, aumentando a incerteza sobre a trajetória dos encargos das famílias nos próximos meses.

Destaques

  • A Euribor a seis meses desceu para 2,606% e a três meses para 2,293%, mas proporcionam apenas alívio mensal limitado de 5 a 10 euros para créditos de 150 mil euros.
  • A Euribor a 12 meses subiu para 2,785%, e as médias mensais de maio de 2026 mostram taxas entre 2,226% e 2,804%, todas acima dos níveis de abril e muito superiores ao período pré-pandemia.
  • O Banco Central Europeu aumentou as três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais em 11 de junho, invertendo o ciclo de cortes iniciado em junho de 2024 e pressionando as expectativas para as próximas decisões de política monetária.

Prazos de referência moldam revisão das prestações

Como noticiou o ThePortugalPost, os dados mais recentes do Banco de Portugal mostram que a Euribor a seis meses continua a ser o principal indexante do stock de empréstimos de taxa variável para habitação própria permanente, representando 39,56% dos contratos em abril de 2026. A taxa a 12 meses corresponde a 31,53% e a Euribor a três meses a 24,55%, o que faz com que pequenas oscilações tenham efeitos diferentes consoante o prazo associado ao empréstimo.

Na sessão referida, a Euribor a seis meses desce ligeiramente para 2,606%, menos 0,008 pontos percentuais, enquanto a taxa a três meses recua para 2,293%, menos 0,010 pontos percentuais. Para os contratos revistos nas próximas semanas com base nestes indexantes, o alívio mensal tende a ser limitado, na ordem de 5 a 10 euros num empréstimo de 150 mil euros, dependendo do spread e do prazo remanescente.

Em sentido contrário, a Euribor a 12 meses sobe para 2,785%, mais 0,004 pontos percentuais face à sessão anterior. Embora a variação seja reduzida, a subida reforça a expectativa de que os prazos mais longos possam continuar sob pressão, numa altura em que o mercado volta a admitir juros mais elevados por mais tempo.

As médias mensais de maio de 2026 também apontam para uma pressão persistente, com a Euribor a três meses em 2,226%, a seis meses em 2,536% e a 12 meses em 2,804%, todas acima dos níveis de abril. Estes valores permanecem muito distantes das taxas inferiores a 1% observadas no período da pandemia, mantendo os custos do serviço da dívida em níveis significativamente mais elevados para as famílias portuguesas.

Política do BCE condiciona custos das famílias

A decisão do Banco Central Europeu de subir as três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais em 11 de junho marca uma inversão face ao ciclo de descidas iniciado em junho de 2024. Depois de oito cortes e de uma pausa no alívio monetário no fim de abril, o regresso ao aperto reforça a perceção de que a inflação na zona euro continua a condicionar a evolução da Euribor.

O próximo conselho de política monetária do BCE, agendado para 22 e 23 de julho em Frankfurt, é agora o principal catalisador para o mercado. A evolução da inflação e a leitura dos decisores sobre o efeito da subida de junho deverão influenciar tanto as futuras decisões do banco central como as expectativas dos investidores para os vários prazos da Euribor.

Para as famílias em Portugal, o cenário mais provável é de estabilização dos encargos perto dos níveis atuais, em vez de uma descida expressiva no curto prazo. Este contexto tem alimentado o interesse por soluções de taxa mista, com um período inicial de taxa fixa antes da passagem a taxa variável, numa tentativa de reduzir a exposição à volatilidade dos indexantes.

Na nossa publicação, analisámos a taxa de poupança das famílias portuguesas no primeiro trimestre de 2026, que se manteve elevada em 12,3% do rendimento disponível bruto, apesar da inflação continuar a pressionar o consumo. O mesmo balanço mostrou que o investimento das famílias, sobretudo na compra de habitação, continuou a crescer, sugerindo resiliência financeira num período de custos e preços ainda exigentes.

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