Portugal mobiliza equipa de resgate para a Venezuela após sismo atingir comunidade luso-descendente
Os sismos que atingem a Venezuela colocam Portugal perante uma crise consular e humanitária com impacto direto numa das suas maiores comunidades emigrantes. Pelo menos um cidadão português morre, cinco continuam desaparecidos e Lisboa ativa meios de resgate, apoio consular e eventual repatriamento.
Destaques
- O Governo português mobiliza uma equipa de 50 operacionais de proteção civil para apoiar buscas e resgate após sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na Venezuela a 24 de junho.
- As perdas humanas afetam gravemente a comunidade portuguesa local, estimada em 1,2 milhões, e ameaçam negócios de horticultura, retalho e alimentação detidos por lusodescendentes.
- As autoridades venezuelanas reportam 188 mortos, 1.520 feridos e 157 desaparecidos, enquanto TAP permite remarcação de voos para Caracas até 30 de julho sem custos.
Resposta de emergência e operação portuguesa
Como noticiou o The Portugal Post, o Governo português confirma a morte de um cidadão nacional e o desaparecimento de pelo menos cinco portugueses depois de dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 abalarem a Venezuela com 39 segundos de intervalo, na noite de 24 de junho.O Ministério dos Negócios Estrangeiros indica que um homem português é retirado com vida dos escombros, mas morre a caminho do hospital. O ministro Paulo Rangel adianta que uma família portuguesa de quatro pessoas está desaparecida em La Guaira e que um quinto cidadão português está por localizar na região de Caracas, enquanto as falhas nas comunicações dificultam a confirmação de vítimas, deslocados e sobreviventes.
O primeiro-ministro Luís Montenegro anuncia o envio de uma equipa de 50 operacionais de proteção civil para apoiar missões de busca e salvamento. O contingente integra especialistas do INEM, da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR e outros elementos com experiência em cenários sísmicos, numa operação coordenada também pelos ministérios da Administração Interna, Defesa e Saúde.
A embaixada de Portugal em Caracas e a rede consular entram em regime de emergência, com linhas de contacto abertas para familiares em Portugal. O Ministério da Defesa mantém ainda meios prontos para eventuais missões de repatriamento, evacuação médica e apoio logístico, caso haja pedido formal nesse sentido.
Impacto económico e social na diáspora
A dimensão da crise é agravada pelo peso da comunidade portuguesa e luso-descendente na Venezuela, estimada em cerca de 1,2 milhões de pessoas, com forte concentração de famílias oriundas da Madeira. Muitas dessas comunidades vivem ou trabalham em zonas severamente afetadas, incluindo La Guaira, onde dezenas de edifícios colapsam e onde se concentra parte importante da atividade comercial ligada a portugueses.Além do impacto humano, o abalo ameaça pequenos negócios de horticultura, retalho e distribuição alimentar detidos por portugueses ou descendentes, com possíveis efeitos sobre remessas e fluxos de investimento para Portugal. A TAP Air Portugal permite a remarcação sem custos de viagens de e para Caracas até 30 de julho, enquanto uma tripulação de 11 elementos permanece retida na capital venezuelana depois de o hotel onde estava alojada sofrer danos, embora todos estejam em segurança.
A Madeira acompanha a evolução com especial preocupação e disponibiliza meios próprios de proteção civil. A associação Venecom prepara uma campanha de recolha de bens de primeira necessidade, ao mesmo tempo que as autoridades europeias coordenam o envio de equipas de resgate de vários países no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.
As autoridades venezuelanas contabilizam 188 mortos, 1.520 feridos e 157 desaparecidos, com mais de 200 pessoas ainda alegadamente soterradas. Nas próximas 24 a 48 horas, o avanço das operações de busca deverá ser decisivo para clarificar o número de vítimas portuguesas e a extensão dos danos sobre uma das maiores diásporas do país.
Na nossa publicação anterior sobre a resposta de Portugal aos dois sismos na Venezuela, destacámos que o Governo mantinha equipas de resgate e apoio humanitário prontas, aguardando condições logísticas e a reabertura dos aeroportos. O texto referia ainda o funcionamento em regime de emergência da rede consular, os pedidos formais de busca por desaparecidos e as dificuldades de contacto causadas por falhas de energia e comunicações, num contexto de forte impacto sobre a comunidade luso-venezuelana, sobretudo em La Guaira.
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