PS avança com roteiro sobre custo de vida na Grande Lisboa

PS avança com roteiro sobre custo de vida na Grande Lisboa
PS e o custo de vida

A pressão do custo de vida na Área Metropolitana de Lisboa leva o Partido Socialista a iniciar uma ação de três dias em 13 dos 18 municípios da região. A iniciativa decorre antes do debate do Estado da Nação de 16 de julho e centra-se em habitação, transportes, saúde, emprego e impacto social.

Destaques

  • O PS inicia em Sintra um roteiro político sobre custos de vida na Grande Lisboa, onde os residentes precisam de 127% do rendimento mensal médio para despesas básicas.
  • A inflação em Portugal atinge 3,3% em abril, energia sobe 11,7% homólogo, e rendas aumentam até 2,24% em 2026 sob novas regras.
  • O salário médio bruto mensal é 1.611 euros no primeiro trimestre de 2026, mas custos superam aumentos salariais; 77% dos inquiridos consideram insuficientes as medidas governamentais.

Roteiro político focado nas despesas das famílias

Como noticiou o ThePortugalPost, o PS arranca esta tarde em Sintra uma série de sessões de trabalho no terreno para avaliar o peso das despesas essenciais numa região onde, segundo os dados citados no texto, os residentes precisam de 127% do rendimento mensal médio para cobrir custos básicos, o que implica um défice mensal de 288 euros antes de qualquer poupança.

A comitiva é liderada pelo secretário-geral José Luís Carneiro e pelo presidente da bancada parlamentar, Eurico Brilhante Dias. Na segunda-feira de manhã, ambos seguem na linha de Sintra às 8h00, num percurso que depois se estende a Loures, Lisboa, Setúbal e Moita, enquanto os deputados se dividem em cinco grupos temáticos, mobilidade e transportes, habitação, saúde, economia e emprego, e impactos sociais.

O programa surge num momento de debate interno no partido. Antes do arranque do roteiro parlamentar, a Comissão Nacional do PS reúne-se em Lisboa para fechar matérias pendentes do 25.º Congresso Nacional, incluindo moções setoriais e alterações na direção, com a entrada de Isabel Estrada Carvalhais no Secretariado Nacional e a saída de Pedro Coimbra.

Inflação, rendas e energia agravam a pressão em Lisboa

A ofensiva política do PS acontece num contexto de encarecimento persistente das despesas das famílias. A inflação em Portugal atinge 3,3% em abril e mantém-se em maio de 2026, enquanto os preços da energia sobem 11,7% em termos homólogos e as rendas podem aumentar 2,24% este ano ao abrigo das regras de indexação.

Para uma pessoa sozinha em Lisboa, as despesas mensais sem renda variam entre 740 e 755 euros, mas com um estúdio e encargos o total sobe para 1.960 a 1.980 euros. Numa família de quatro pessoas, a despesa base sem renda situa-se entre 2.640 e 2.720 euros, podendo o orçamento total atingir 3.500 a 4.400 euros consoante a localização.

O salário médio bruto mensal em Portugal fica em 1.611 euros no primeiro trimestre de 2026, com uma subida nominal de 5% e real de 2,7% após inflação. O salário mínimo nacional aumenta para 920 euros em janeiro, mas continua abaixo do ritmo de crescimento dos custos em categorias como habitação, alimentação e energia.

Perante este cenário, o PS defende medidas como IVA zero em bens alimentares essenciais, descida do IVA dos combustíveis e do gás de 23% para 13%, reforço da parcela de consumo energético tributada a 6%, congelamento das propinas no ensino superior e apoios municipais ao transporte, rendas e refeições escolares. O Governo de Luís Montenegro mantém uma resposta mais gradual, com mecanismos de neutralização fiscal nos combustíveis, apoios setoriais e uma linha de crédito de 600 milhões de euros para empresas, enquanto uma sondagem Aximage de maio de 2026 mostra que 77% dos inquiridos consideram insuficientes as medidas adotadas.

Na nossa publicação anterior sobre a inflação acima de 3% em Portugal até 2026, explicámos como a subida persistente dos preços — com destaque para energia, combustíveis e alimentação — continua a corroer o poder de compra das famílias. Também enquadrámos o impacto da volatilidade geopolítica nos custos energéticos e a resposta do BCE, com taxas mais altas a manterem o crédito mais caro, apesar da expectativa de crescimento salarial a médio prazo.

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