Renova investe 11 milhões em descarbonização e corta emissões da fábrica em Torres Novas
A pressão para reduzir custos energéticos e emissões na indústria está a reforçar o peso da transição energética nas decisões de investimento em Portugal. Nesse contexto, a Renova inaugura em Torres Novas um projeto de 11 milhões de euros que reduz em 50,6% as emissões de dióxido de carbono da fábrica 2 e diminui a dependência do gás natural.
Destaques
- Renova investiu 11 milhões de euros no projeto Descarbonizar@Renova em Torres Novas, reduzindo as emissões da fábrica em 50,6%, acima da meta inicial de 43%.
- Cerca de 5,8 milhões de euros do investimento são financiados pelo PRR, com sete medidas de eficiência energética implementadas, incluindo uma central de biomassa e uma unidade de secagem elétrica do papel.
- Em 2023, Renova faturou 248 milhões de euros, exportando 60% da produção para mais de 70 países, consolidando sua competitividade com descarbonização e inovação.
Projeto industrial reforça eficiência energética
A Renova inaugurou esta segunda-feira o projeto Descarbonizar@Renova, em Zibreira, Torres Novas, segundo o Jornal de Negócios, numa iniciativa apoiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, que combina uma central de biomassa com outras medidas de eficiência energética para reduzir o consumo de gás natural e as emissões da unidade industrial.Durante a cerimónia, o presidente do conselho de administração, Paulo Pereira da Silva, diz que o investimento representa um passo relevante na transição energética da empresa e acrescenta que o projeto melhora a competitividade, gera poupanças de energia e reforça a coerência da oferta da marca com a sua estratégia de sustentabilidade e inovação.
De acordo com o diretor de projeto, Filipe Almeida, a candidatura ao PRR previa inicialmente uma redução de 43% das emissões de dióxido de carbono, equivalente a cerca de 54 mil toneladas por ano, mas o resultado final ultrapassa essa meta e atinge 50,6%. Dos 11 milhões de euros investidos, cerca de 5,8 milhões são apoiados pelo PRR, numa execução que inclui sete medidas de eficiência energética, entre as quais a nova central de biomassa, a primeira unidade de secagem elétrica do papel, o reforço da recuperação de calor residual e maior monitorização ambiental dos processos.
Descarbonização ganha peso na competitividade
Na cerimónia, o secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, considera que o projeto exemplifica a ligação entre política energética e política industrial e defende que a descarbonização deve ser tratada como um fator direto de competitividade para a indústria nacional. O governante acrescenta que investimentos desta natureza mostram como o capital público pode acelerar a modernização produtiva, aumentar exportações e criar mais valor na economia.Paulo Pereira da Silva enquadra o projeto num ciclo mais amplo de investimento contínuo na unidade de Zibreira e afirma que a empresa aplica mais de 150 milhões de euros no local nos últimos 12 anos, em expansão produtiva, logística, automação, eficiência energética e inovação industrial. O gestor sublinha também que a internacionalização continua a ser um dos pilares da estratégia da Renova, que exporta a maior parte da produção, compete em mais de 70 países e regista cerca de 10 milhões de atos de compra mensais.
Criada em 1939 junto à nascente do rio Almonda, a Renova emprega 650 trabalhadores e fecha 2023 com uma faturação de 248 milhões de euros, dos quais 60% provêm dos mercados internacionais. O projeto agora inaugurado reforça a posição da empresa num contexto em que a energia é apresentada como uma vantagem clara para a localização industrial em Portugal.
Na nossa publicação anterior sobre a Estratégia Industrial Verde, explicámos como o Governo quer posicionar Portugal como destino competitivo para investimento industrial assente na descarbonização, transição energética e inovação, num plano com horizonte até 2040. Destacámos ainda que a energia — apontada como cerca de 30% mais barata do que a média da UE — é tratada como um ativo estratégico para reduzir custos operacionais e acelerar a eletrificação, os gases renováveis e soluções de captura de carbono em setores difíceis de descarbonizar.
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